A famosa banda rock Foo Fighters está de volta para surpreender os fãs com o décimo álbum de estúdio. Medicine at Midnight veio a público no passado dia 5 de fevereiro, e traz consigo nove calorosos temas que farão qualquer um soltar uns passos de dança nestes dias tão amargos e calmos que vivemos em casa.

A motivação de Foo Fighters quando deu início a gravação do projeto era essa mesmo. Elaborar um álbum rock, como sempre foi a sonoridade do grupo, no entanto, inovar. Depois de 27 anos em atividade, a banda sentiu já ter feito um pouco de tudo no que toca ao género musical. Tudo menos um álbum que soasse como uma grande festa, que nos fizesse levantar, mover e querer dançar. Muito ao género de projetos como Lets Dance (de David Bowie) ou Tattoo You (de Rolling Stones), referido numa entrevista para a NME .

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Para tal, o grupo tentou introduzir no seu característico estilo noisy rock uma sonoridade funk. Muito através de riffs curtos, mais dinâmicos e alegres. O efeito foi conseguido, pelo menos na maioria dos temas. Sendo que, noutros resultou em sons desconexos entre as diferentes partes da música. Não soando mal por completo, acaba por danificar a consistência das músicas e do próprio álbum em si.

Um exemplo disso mesmo, é exatamente o primeiro tema do projeto, “Making A Fire”. Depois de uma pequena intro alegre e mexida numa sequência de acordes funk rock, a música transporta-se para um pre-chorus/bridge com um riff mais profundo e sentimental, que acaba num refrão hard rock, mais à imagem do que o grupo sempre se habituou a fazer. E a grande mistura acaba por parecer uma confusão.

O mesmo acontece em “Shame Shame” e “Cloudspotter”, que estão logo a seguir e, na minha perspetiva, a estragar um pouco a consistência do projeto. Em “Shame Shame”, isso acontece muito devido a um liricismo e flow estranho, acompanhado de um ritmo soul-funk que faz lembrar sonoridades características de Michael Jackson. “Clouspotter”, no refrão, por se assemelhar a uma daquelas músicas que dão início ou acompanham um desenho animado de super-heróis. O que acaba por soar estranho ao lado do resto dos temas que compõem Medicine At Midnight.

Contudo, o projeto começa a soar mais a Foo Fighters a partir de “Waiting On War”. Lançada como single um dia antes da saída do projeto completo, varia entre uma bonita guitarra acústica nos versos e uma forte guitarra rock, caracteristicamente distorcida, no refrão. A música, como disse, transpira a Foo Fighters e ao que de melhor a banda faz. O mesmo acontece com “Chasing Birds”, um tema acústico calmo e muito bem conseguido, tanto na robusta voz de Grohl, como na mansidão da guitarra de Smear.

Non Son of Mine” tem, igualmente, um som punk rock fenomenal. Por estas mesmas razões, os temas referidos serão muito provavelmente aqueles que a banda irá tocar nos seus concertos – como confirmou Grohl num álbum complementar a este, composto de comentários a cada música pela banda.Por fim, “Love Dies Young” chega como um excelente exemplo do forte e clássico rock que os Foo Fighters estão habituados a fazer.

Através da experiência e criatividade de Grohl, mas também devido a toda a qualidade dos restantes membros da banda como Pat Smear ou Nate Mendel, Medicine At Midnight é uma introdução do funk rock na música do grupo. O álbum vem deixar mais uma marca do dinamismo de uma das mais clássicas bandas de rock alternativo das últimas décadas. Do mesmo modo, acentua a força que é preciso ter a combater guerras ou outras graves e preocupantes situações que se passam no planeta na atualidade. Pode não ser, de facto, dos melhores trabalhos que a banda já fez, mas configura em si a o potente rock dos anos 90, ao lado do enérgico pop funk dos anos 00.