A conversa foi moderada por Taynã Noschese, estudante de Criminologia e Justiça Criminal na Universidade do Minho.

O Coletivo de Estudantes Internacionais realizou, esta terça-feira, um direto via Instagram com o deputado do Bloco de Esquerda, Luís Monteiro. O propósito era discutir o Projeto Lei relativo à alteração do Estatuto de Estudante Internacional em Portugal. De mencionar que o Coletivo de Estudantes Internacionais é uma iniciativa recente que surgiu como resposta aos problemas que muitos estudantes estrangeiros enfrentam nas universidades portuguesas.

Luís Monteiro começou por referir que, no início da pandemia, havia estudantes com falta de segurança nas residências, sem internet adequada às aulas, com os pais em situações de desemprego, entre outros problemas associados. Confessou também que, de todas as universidades que visitou, a situação “mais perigosa era a do alojamento, principalmente de estudantes estrangeiros, que se viram forçados a permanecer em Portugal, rodeados de incertezas perante o futuro”. Inclusive a Universidade do Porto tinha aprovado a subida do valor das propinas para os estudantes internacionais, que iria começar na altura da pandemia, “a meio de um ciclo de estudos” e quando os alunos mais precisavam de apoio.

De seguida, ao conversar um pouco mais sobre o Projeto de Lei do Bloco de Esquerda, o deputado explicou que este se assenta em três pontos: o combate ao abuso do valor das propinas dos estudantes internacionais; o acesso ao apoio social, visto que muitos não têm acesso aos fundos de emergência, serviços de ação social, entre outros; a luta pela dignidade no seu tratamento, através do combate ao racismo e à xenofobia, de modo a que haja mais inclusão. O entrevistador Taynã Noschese exemplificou alguns desses problemas, como o facto de que na Universidade do Minho não são considerados estudantes deslocados, então não têm grande acesso às residências universitárias.

De seguida, o deputado lembrou que “só irá afetar se o projeto for aprovado”, mas que irá lutar para que consigam colocar um limite máximo de valor nas propinas dos estudantes de outros países. Contudo, se passar, não poderá ser aplicado desde setembro deste ano, mas no ano civil seguinte.

Ao terminar, deixou uma mensagem de esperança para todos os que passam diariamente sem serem ouvidos pelas universidades portuguesas de que, para mudar as suas condições, “é necessário muita perseverança e espírito de equipa”. Afinal, continuou, receber os alunos e respeitar os seus direitos deve ser “uma visão da universidade, da sociedade portuguesa”.