Justice, lançado a 19 de março de 2021, é o sexto álbum de estúdio do cantor canadense Justin Bieber. A ausência de Poo Bear, compositor do cantor desde o álbum Journals, de 2013, é notória. Em vez de cair no que seria previsível, um estilo mais R&B que costumavam fazer, o cantor decidiu passar para um Capital-P Pop.

Holy”, “Lonely”, “Anyone”, “Hold On” e, mais recentemente, “Peaches” foram os singles lançados para a promoção do álbum que viria a caminho. Um álbum com uma mensagem forte que o cantor já queria há muito transmitir para o mundo, uma mensagem acerca da aprendizagem sobre compromisso e construção de confiança. Justice encontra-se no primeiro lugar do top 200 da Billboard, em primeiro no Spotify e na categoria #Música do Youtube. O álbum conta, ainda, com uma versão extra, deluxe, que contém mais seis faixas.

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2 Much” é a grande entrada do álbum. “Injustice anywhere is a threat to justice everywhere” é a frase que abre esta música, uma amostra de um discurso de Martin Luther King Jr. que é completada em “MLK Interlude”. Com a simplicidade na voz e um piano igualmente simples a acompanhar, Justin revela uma parte profunda do seu amor, “Say, “I love you” under my breath, more times than you can digest”.

Deserve You” é uma música mais focada em si próprio e no passado. Fala de como não quer voltar à pessoa que era, de como já teve muitas vidas, mas é com esta que ele quer ficar. É por esta lembrança, da pessoa que foi, que vem ao de cima o sentimento de “I don’t deserve you”, mas também “I need you, don’t let me go”. A letra, a melodia, os falsetes, tudo se completa de uma forma muito fascinante.

As I Am” com o cantor Khalid é um desabafo por sentir que se afasta das pessoas, mas precisar de mais momentos assim. Apesar deste debate com o coração, promete dar o seu melhor. Uma música interessante pela diversidade. Inicialmente super calma, emotiva e depois cresce, ganha energia e torna-se única num tom de “necessidade”.

Off my face” foge um pouco ao registo do cantor, transmitindo alguma parecença aos temas do cantor Shawn Mendes. Acompanhado por uma guitarra, Bieber apresenta algo mais simples, mas igualmente puro e intimista. É bem percetível a suavidade da voz e o domino da passagem de uma voz de peito para um bom falsete.

Holy”, com Chance The Rapper, não é uma novidade para o álbum, pois já tinha sido lançada em setembro de 2020, ano em que fez muito sucesso. O estilo gospel com umas batidas mais pop/trap combina na perfeição e dá toda uma sensação de serenidade e esperança.

Unstable” apresenta um efeito mais dimensional, espacial. A entrada da guitarra elétrica só completa esta ideia. Tem um efeito sujo e distante que, junto com a voz de Bieber e The Kid LAROI, se complementa. “Die For You”, com Dominic Fike, tem uma batida bastante ritmada que nos remete para a nostalgia dos anos 80 num estilo mais pop/rock. Fala sobre química, paixão e morrer de amor por alguém. Antes do refrão, há todo um crescimento para uma explosão pouco esperada.

Ghost” não é um título ao acaso. A música transmite um ambiente mais fantasmagórico, mas sempre com aquele toque de Bieber. É iniciada com uma batida que, eventualmente, cai sobre uma guitarra acústica. Esta montanha-russa entre acústico e eletrónico é surpreendente e cativante.  Neste rumo dos anos 80 e do fantasmagórico, junta-se “Somebody”, que quase parece uma junção das duas músicas num só.

Hold On” lançada a 5 de março, também já não é desconhecida. É uma música que passa de vários estados. Começa em algo calmo, distante e vai crescendo com a entoação da voz de Justin. A bridge da música, “Midnight ‘til morning,/ Call if you need somebody”, é sem dúvida uma boa surpresa que dá uma sensação de pausa, mas também êxtase com tudo que nos foi mostrado até ao momento.

Peaches”, com Daniel Caesar e Giveon, é o êxito do momento. Algo muito representativo do cantor, mas também distinto, fresco, ritmado e tropical. A participação de Daniel Caesar e Giveon fez toda a diferença para a criação deste ambiente tão confortável e acolhedor que, de certo modo, as vozes dos artistas nos trazem. Levam-nos a umas belas férias numa praia, com sol e boa música.

Love You Different”, com BEAM, foi uma colaboração arejada e com um ritmo bastante específico e contínuo. “Loved By You”, com a participação de Burna Boy, apresenta, inicialmente, um ritmo bastante semelhante a “Peaches”, mas isso muda com o passar da música, voltando àquela ideia de profundidade.

Anyone” é uma carta de amor de Bieber para Hailey. Com batidas poderosas e que se expandem, causam todo um sentimento e adrenalina ao ouvinte. Destaca-se pela técnica, simplicidade e pela mensagem tão apaixonada que transmite.

“Lonely” (com Benny Blanco), última música do álbum, é o hino que podíamos esperar no final de tanta energia. É uma balada que arrepia pela veracidade que traz por detrás. “What if you had it all but nobody to call?” é uma chamada de desespero do antigo Justin, para melhorar, e do atual Bieber, para mostrar que está diferente.

Bieber decide contemplar os ouvintes com 6 faixas bónus num álbum extra. “There She Go“, num estilo pop/trap; “I Can’t Be Myself”, com um início surpreendente e uma atmosfera envolvente; “Lifetime”,  uma música mais acústica e simples; “Wish You Would” e “Know No Better”, bem dentro do R&B e “Name”, também num estilo mais acústico e elegante.

Justin Bieber encontra-se no auge da sua vida pessoal e profissional, o que é percebido em cada música do álbum. Emergiu de um período de angústia, uso de drogas e ideias suicidas para uma idade adulta bem encaminhada, focada na positividade do casamento com Hailey Bieber e na sua fé. Consegue-se sentir uma maior liberdade depois da sobrecarga no álbum Changes, em que sentia a necessidade de provar que já não era mais aquele adolescente problemático que todos conheciam.

Justice mostra Bieber num novo experimento de ideias que, para ele, são novas, mesmo que não o sejam no panorama pop. Justin Bieber mostrou uma grande capacidade de que é possível mudarmos e estarmos bem, se continuarmos a lutar pela vida.