Depois de um ano sem se realizar devido à pandemia, a Europa voltou a parar para assistir à 65.ª edição do Festival.

A Itália sagrou-se vencedora da 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção 2021 este sábado, em Roterdão, para surpresa de todos. A canção Rock cantada em italiano pelos Måneskin, apesar de ser ocupar o primeiro lugar na tabela de previsões dos apostadores, não parecia conseguir chegar ao topo aquando da votação do júri, e foi o público que, com 318 pontos através do televoto, os levou até à vitória. Itália conseguiu um total de 524 pontos e assim, em 2022, rumamos até ao sul da Europa.

Portugal teve um bom regresso com os The Black Mamba. O tema “Love Is On My Side”, a estreia do país com uma música cantada na íntegra em inglês, conquistou o 12.º lugar na final, sendo que pela pontuação do júri tinha ficado na sétima posição. Esta é a melhor classificação desde a vitória de Salvador Sobral em 2017, que ainda segura o recorde de música mais pontuada de sempre.

Os momentos marcantes da Grande Final

A realização do Festival por si só é algo marcante. Num ano afetado pela pandemia, assistir novamente à Eurovisão com os países unidos e uma plateia cheia é gratificante. Como sempre, este é um espetáculo que surpreende, mas a 65.ª edição do Festival Eurovisão foi uma montanha russa de surpresas. Foi um Festival de diversão, diversidade e representatividade. Ouvimos vários estilos desde Pop, Rock, Eletro-Folclore, baladas e eletrónica e vozes realmente únicas em vários idiomas, pois nesta edição o top5 foi constituído por músicas cantadas na língua do país que as apresenta e não em inglês.

Já começa a ser habitual as edições do certame fazerem uma viagem pela estrada da memória, homenageando antigos vencedores. Este ano não foi diferente e foi feita a rubrica “A Winner’s Journey”, na qual participaram Johnny Logan (artista que mais edições venceu na história), Katrina & The Waves, Anne-Marie David, Duncan Lawrence e outros, que recordaram o momento da vitória. Além disso, num dos Interval Acts, “Rock the Roof”, pudemos ouvir atuações de vencedores como Måns Zelmerlöw, da Suécia, Teach-In e Lenny Kuhr, dos Países Baixos, Sandra Kim, da Bélgica, Helena Paparizou, da Grécia, e os Lordi, da Finlândia.

Uma surpresa foi a presença da youtuber holandesa NikkieTutorials na apresentação do espetáculo. Não só acompanhou os restantes apresentadores durante a transmissão, como também realizou várias entrevistas aos concorrentes com a rubrica LookLabe protagonizou uma série de vídeos intitulados de EurovisionTutorials, onde a youtuber dava dicas de como ser um bom não-vencedor. O humor estava muito presente e, mais uma vez, destacava participantes anteriores que ficaram perto de ganhar.

Por último, este momento, apesar de subtil, mostrou a cultura que existe à volta deste Festival tão exclusivo e apreciado. Em junho do ano passado foi lançado o filme Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga, que conta a viagem do dueto islandês Fire Saga até à Eurovisão. Durante o festival foram feitas algumas referências ao filme e também no momento de a Islândia anunciar os icónicos 12 pontos.

Aspetos mais negativos da edição

Apesar de haver o apelo à participação e interculturalidade, há sempre influências geopolíticas na hora de pontuar as canções. Este não é um comentário recente, mas continuamos a testemunhar trocas de 12 pontos entre países próximos como Chipre e Grécia, ou países nórdicos. Isto leva a momentos como os que assistimos este sábado, em que o televoto muda radicalmente a tabela de qualificações, o que fortalece a sua importância.

Algo que chocou todos os espetadores foi o facto de quatro canções que passaram diretamente para a final terem recebido zero pontos do público. Holanda, Espanha, Alemanha e Reino Unido preencheram o fundo da tabela, mas a última gerou alguma controvérsia. O Reino Unido saiu da 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção com zero pontos. Depois de receber a notícia, James Newman incentivou a assistência a aplaudir uma canção que não arrecadou nenhum ponto de nenhuma das partes. Esta respondeu positivamente, mostrando o fair play tão característico desta competição. Não é descabido pensar que num cenário pós-Brexit as classificações e as presenças do Reino Unido no Festival possam vir a desaparecer.

Esta edição será relembrada pelo contexto em que se realizou, mas também pela vitória do Rock. Desde 2006 que uma banda do género não ganhava e isto pode vir a alterar o conjunto de canções que viremos a ouvir em 2022.