Apesar de lançamentos a solo e em sub-units, Red Velvet está de volta como grupo, após quase dois anos sem qualquer lançamento que integrasse as cinco jovens. Lançado a 16 de agosto deste ano, o sexto mini-álbum da girls band traz um peso mais significativo após acontecimentos que afetaram as vidas das cantoras.

Tanto a letra de uma música como a própria melodia apresentam uma narrativa mais ou menos explícita que o artista tenta transmitir. Quando várias melodias são agregadas num único álbum, entendemos que o artista está a tentar escrever uma certa estória e produzir um determinado ambiente. Porém, muitas vezes esquecemo-nos de ler nas entrelinhas e ignoramos o facto de a música também contar a história do próprio artista. Desta forma, o grupo feminino Red Velvet constrói este género de narrativa no seu mais recente trabalho, Queendom.

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Queendom”, a faixa-título do álbum, constrói-se num ritmo dance-pop que concretiza uma atmosfera feliz e que representa, perfeitamente, um ambiente de verão. O grupo sempre foi conhecido por trazer sons interessantes e divertidos. Desta forma, nesta faixa, aos aspetos característicos de Red Velvet junta-se a uma nova aura de frescura, que nos faz sentir como se estivéssemos a sonhar. A melodia pode não ser a mais original já apresentada, mas a par da mensagem de autoconfiança da letra («‘Cause we are Queens and Kings, put your hands up higher/The more it gathers, the more beautiful it gets, Shining bling bling/ Even if it rains, Strong and beautiful/Rainbow completed in all different colors») é apresentado uma música poderosa que nos fazer sentir brilhantes e confiantes. Para além disso, o magnífico videoclipe que acompanha a canção leva-nos a viajar pelo “Queendom” sonhado pelas jovens integrantes.

Continuando o ritmo arrojado da primeira faixa, “Pose”, entre os elementos de pop-dance, R&B, EDM e Hip Hop, extende o legado de confiança e auto-empoderamento começado anteriormente. «I pose nicely like I’m the main character»: a música desafia o ouvinte a tomar rédeas da sua própria vida e assumir o protagonismo que nela merece.

Como é autoevidente, o álbum segue uma linha de fantasia, sonhos e alegria constante. Por extensão, a faixa que melhor sintetiza esta ambiência de conto de fadas e paradisíaca é “Knock On Wood”. Os vocais suaves e harmoniosos das integrantes, o clima fantasioso e alegre e a letra que alude ao desejo de ter determinado romance com certa pessoa abre as portas à nossa imaginação para nos encaixarmos num conto de fadas. O próprio título da música refere-se ao ato de bater na madeira para ter boa sorte. Por sua vez, “Better Be” é uma típica melodia que representa o lado R&B que o grupo, constantemente, divulga nos seus projetos. Ao dar o seu melhor para aconselhar o ouvinte, as vocalistas cantam sobre não desistir da pessoa que se gosta tão facilmente.

Uma faixa que desaponta é “Pushin’ N Pullin’”, não por ser uma má música, mas pelo facto de não se distinguir das restantes músicas. O instrumental começa a tocar com barulhos de relógios que relembram Alice no País das Maravilhas. Por sua vez, a melodia progride de forma cativante, porém perde-se no refrão demasiado “dreamy”. Para além disso, a canção torna-se aborrecida pela falta de elementos que podiam transformá-la num som mais distinto. Em vez de fechar o álbum de modo impactante, “Hello, Sunset”, uma balada R&B que entrega uma sensibilidade de verão, assume-se como mais uma faixa aborrecida e semelhante a outras músicas do grupo.

Finalmente, Joy, Irene, Yeri, Wendy e Seulgi se reúnem como grupo após vários acontecimentos terem abalado a carreira do grupo. Em 2019, Wendy sofreu uma fratura nas pélvis após uma queda num concerto televisivo de Natal. Entretanto, em meados de 2020, Irene envolveu-se numa polémica de má conduta para com o staff. Assim, Queendom simboliza muito mais do que simplesmente um novo lançamento musical para saciar os Reveluvs (fãs do grupo).

Com este álbum, as cinco jovens ressurgem-se como um só grupo. Infelizmente, ainda que com alguns  pontos fortes, Queendom desaponta em vários momentos por não trazer nada de especial. Sem ser uma ou outra faixa, ouvimos mais uma vez aquilo que já vem sido feito pelo grupo há sete anos.