Após a mágica (mas longe de renovada) abertura da Walt Disney, conhecemos o local onde se vai desenrolar a história de Oliver e seus Companheiros. Na cidade que nunca dorme, apresentada em rabiscos impressionantes, somos presenteados com a composição “Once upon a time in New York City” de Huey Lewis ou, para os que preferem a versão portuguesa, “Como é bom estar em Nova Iorque”, com a interpretação de Diogo Tavares.

Assim, é na Fifth Avenue que conhecemos o nosso protagonista. Tal como numa loja de animais, deixamo-nos apaixonar pelos gatos bebés que se encontram à venda. No entanto, a felicidade dura pouco tempo. Nem todos os gatinhos têm sorte e são acolhidos por uma família. Caso disso é Oliver, um gatinho laranja com listras escuras nas costas. Desta forma, passa noites ao frio e à chuva, até que a caixa onde se encontra desmorona-se e vê-se sozinho nas ruas da Big Apple.

Sem qualquer proteção, vê-se confrontado com as dificuldades da vida de rua. Além de ser perseguido por cães, tem dificuldade em encontrar alimento e é enxotado pela população, que tem preocupações maiores do que olhar por onde anda. Na verdade, a produção cinematográfica Oliver e seus Companheiros sublinha a distração social, ao demonstrar que o único interessado no animal abandonado é uma criança.

Mais uma música, mais uma personagem. Neste caso, conhecemos Dodger. Sedutor? Restam dúvidas. Estiloso? Com toda a certeza. Além disso, o cão rafeiro é, surpreendentemente, um ótimo cantor e apresenta um humor muito característico. Perante a incompatibilidade de Oliver e um vendedor de rua, Dodger apenas refere – “parece que o Louie tem uma visita. Chegou o tempo do Dodge tornar isto numa “cat-astrophe”. E é mesmo assim que os nossos protagonistas se conhecem.

Perante o receio compreensível de Oliver, Dodger faz questão de explicar – “eu não como gatos, é demasiado pelo. Tenho andado a ver-te e acredito que precisas, urgentemente, de orientação profissional”. Quererá mesmo ajudar ou não passará de aproveitamento?

Perto dos 10 minutos, temos o prazer de escutar mais uma das composições que integram a banda sonora de Oliver e seus Companheiros. “Why Should I Worry?” de Billy Joel ou “Não Me Vou Preocupar” de Tó Cruz, dá-nos mais algumas luzes sobre a personalidade de Dodger – “Não me vou preocupar / Nestas ruas eu sou rei (…) Eu não sou dado a tristezas / Da malandragem eu sou rei”. Para além disso, temos a oportunidade única de ver um excelente bailarino canino.

No entanto, a realidade nem sempre é bem como se tenta fazer parecer. Na verdade, Dodger vive num barco em mau estado, com os seus fiéis companheiros, especialistas no roubo – o chihuahua Tito, o bulldog Francis, o great dane Einstein e a saluki Rita.

Mais tarde, percebemos que os pequenos ladrões fazem-no, não só para sobreviver, mas também para ajudar o homem que lhes deu abrigo, Fagin. O último pediu dinheiro emprestado ao Mr. Sykes e, após tentar adiar o inevitável, restam-lhe apenas 3 dias para pagar a sua dívida. Relembre-se que Mr. Sykes faz-se acompanhar pelos seus súbitos dobermans Roscoe e Desoto.

Segue-se o processo de aprendizagem e angariação de fundos, ao som de “Streets of Gold”, na voz de Ruth Pointer (Ruas de Ouro, com a interpretação de Rita Guerra). Por extensão, o plano não corre como planeado e Oliver mete-se numa (aparente) encruzilhada.

Sob pena de cometer algum spoiler, termino o meu resumo por aqui. No entanto, a crítica está longe de terminar. Apesar de, num primeiro momento, Oliver e seus Companheiros aparentar ser apenas mais um filme engraçadinho de animação infantil, a verdade é que procura transmitir inúmeros ensinamentos a miúdos e graúdos.

Os principais ensinamentos de Oliver e seus Companheiros são a relação de amor que se pode criar entre animais e humanos e que o amor é a cura para todos os males. Para além disso, permite-nos apercebemo-nos da era da distração, como mencionado anteriormente, constatar as diferenças sociais e percepcionar as várias dimensões da amizade.

Oliver e seus Companheiros faz-se acompanhar de uma banda sonora de excelência. Fora os temas já referidos, a produção cinematográfica conta com músicas como “Perfect Isn’t Easy” de Bette Midler (“Perfeição Sou Eu” interpretada por Ana Vieira) e “Good Company” de Meehunn Trunn (“Grande Amigo” interpretada por Joana Dinis).

Por fim, convém relembrar os atores que deram voz às diversas personagens de Oliver e seus Companheiros. Sendo assim, começamos por Oliver, trazido à vida por Joseph Lawrence e Tiago Monteiro e Dodger, na voz de Billy Joel e Diogo Morgado. Na vertente canina seguem-se, ainda,  Cheech Marin e Paulo Oom (Tito), Roscoe Lee Browne e Carlos Sebastião (Francis), Richard Mulligan e José Nobre (Einstein) e Sheryl Lee Ralph e Isabel Ribas (Rita).

Como é já típico dos filmes da Walt Disney, principalmente os mais antigos, a produção cinematográfica Oliver e os seus Companheiros é ótimo para miúdos e graúdos. Por entre os ensinamentos, saltam à vista easter-eggs e referências dignas de bolinha vermelha. Sendo assim, com a duração de 1 hora e 15 minutos, trata-se de um completo e bom serão em família.