Bruno Alcaide considera “prematuro dizer claramente que a universidade está muito melhor” com o modelo fundacional. Em entrevista ao ComUM, o líder da Lista A – “Construir Academia”, que se candidata para representar os estudantes, reconhece que ainda é cedo para fazer um balanço à fundação, mas acredita nas várias oportunidades da mudança.

Desde a “liberdade para contratação de docentes”, à “margem de captação de financiamento”, e à fácil gestão, Alcaide é rápido a apontar aspectos positivos, mas alerta para a complacência na actuação. “Obviamente que toda a realidade tem sempre aspectos positivos e negativos, e o que importa é salvaguardar que os negativos não acabam por se verificar, e que os positivos são bem trabalhados, no sentido de garantir que exista oportunidade para a universidade se desenvolver”.

Outra posição forte do cabeça-de-lista é a eliminação de certas taxas. Dando o exemplo do pagamento da matrícula, Alcaide afirma que “um aluno quando se matricula na Universidade do Minho (UM), está matriculado em todo o seu período académico”. Assim, estende o debate a outras taxas, como os diplomas e mesmo as propinas, que “não estão a ser usadas para o seu objectivo inicial”, suportando outros custos que não são a presença do estudante na universidade.

ComUM: Fala em garantir que a UM coloque à disposição do aluno instalações e recursos materiais. Que recursos é que estão a faltar à Universidade?

Bruno Alcaide: A universidade, do ponto de vista das atuais infraestruturas, não tem dificuldade em acolher e, por isso, é preciso passar para a parte da ação e resolver esta questão pendente. Nomeadamente no caso da Escola de Ciências. Os laboratórios precisavam de uma renovação das instalações, sendo que foi prometido que esse processo não viria a prejudicar aquele que era o plano curricular dos alunos. Aquilo que acabou por acontecer foi que isso esbarrou com a actividade letiva dos estudantes. Uma universidade tem que garantir que tem condições de infraestruturas para os estudantes.

ComUM: Refere o combate ao abandono escolar nas linhas orientadoras desta candidatura. Que medidas práticas tem em vista?

Bruno Alcaide: O abandono escolar já está identificado nas quatro vertentes que lhe estão associadas: o insucesso escolar, as dificuldades financeiras, as dificuldades de perceção sobre se é uma mais valia estar no ensino superior, e o não enquadramento das expectativas. Nas questões de acção social, a promoção do fundo social de emergência permitirá colmatar uma dessas falhas. A UM deve promover outras actividades e iniciativas, não só sobre o fundo social de emergência, mas também garantir que existem condições de alimentação. Neste momento, existe um debate generalizado entre as instituições de ensino superior, no sentido de avaliar que preços é que serão praticados no próximo ano, uma vez que se verificou um novo aumento do salário mínimo, e por isso, de forma indexada, aumentaria o preço da refeição e alojamento.

ComUM: Um dos pontos fortes da sua lista é a adequação de recursos e metodologias a um ensino direcionado investigação. O que tem a dizer sobre a opinião de que isto torna a universidade mais preocupada com o mercado do que com o ensino?

Bruno Alcaide: Eu acho que estamos a ver de forma generalizada aquela que é a investigação. Nós temos de garantir que as práticas de investigação são alargadas a todas as áreas do saber. As práticas de investigação devem ser promovidas enquanto formação daquele que é o espírito crítico de qualquer estudante, no sentido de garantir que os estudantes conseguem desenvolver alguns mecanismos de trabalho que são importantes para o seu futuro profissional. A investigação não pode existir sem ensino, porque é necessário que existam bases para que esta se possa realizar. E, obviamente, o ensino não existe sem investigação, uma vez que aquilo que é conhecido pelos estudantes tem que ter alguma aplicabilidade.

ComUM: O que pode ser feito para ajudar os estudantes não envolvidos na praxe a criar alternativas a esta atividade?

Bruno Alcaide: A associação académica já promove, logo no início do ano letivo, duas semanas de atividades. Estas atividades são momentos de formação ou não, e existem também muitas dinâmicas não formais, que são realizadas de estudantes para estudantes, no sentido de promover este contacto próximo. Estas atividades podem e devem ser promovidas, e a lista fará a defesa exatamente dessas mesmas iniciativas. Mas, olhando para a realidade, os estudantes que participam nestas mesmas atividades podem também participar nas atividades da praxe. Quem opta por não participar nas atividades da praxe tem um conjunto de atividades de receção para se sentir plenamente integrado dentro da UM. Da nossa parte, basta apenas tentar perceber se esse programa é abrangente o suficiente e ver se pode ser alargado.

Hélio Carvalho, Henrique Ferreira