Bruno Alcaide e Bruno Gonçalves, os dois líderes das listas para os representantes dos alunos no Conselho Geral (CG), trocaram ataques no meio de muita concordância, num debate moderado pelo ComUM. O encontro entre os candidatos, que se realizou esta sexta-feira no campus de Gualtar, ficou marcado pelo grande enfoque dos candidatos na passagem a fundação e na estagnação do valor das propinas.

Durante todo o debate, Bruno Gonçalves, da lista B, lamentou que a discussão sobre a passagem a fundação não tenha sido trazida “de forma plural ao seio dos estudantes”. Mas ainda assim, quando confrontado quanto à sua posição clara sobre este tópico, o candidato da lista B diz que não ser “cético quanto a este regime”. Coloca-se antes contra a “precarização dos docentes”, apesar de reconhecer que existem pontos positivos que quer “explorar”, nomeadamente a “flexibilidade da contratação”.

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Foto: Gonçalo Costa/ComUM

Alcaide discorda de Gonçalves, sobre o debate não ter saído do CG, afirmando que “toda a academia teve a oportunidade de enviar o seu contributo”. Mas, na análise que faz à passagem em si, o candidato da Lista A é pouco diferente do seu opositor: “É sobretudo necessário garantir que este modelo não traz os aspectos negativos que poderá trazer.”

Outra questão em que os dois candidatos se atacaram foi a da estagnação de propinas. Bruno Alcaide congratulou-se pelo trabalho da sua lista no CG: “É de ressalvar que, nos últimos quatro anos, não aumentou o valor de propina, e o debate é feito de forma a que se pode fazer uma redução da propina”. Mas Bruno Gonçalves não considera que a estagnação do valor da propina seja suficiente: “Devemos lutar não por uma estagnação, mas sim por uma redução das propinas”.

A atitude de cada candidato relativamente à forma como a descida do preço das propinas deve ser feita, é também ela diferente. Gonçalves afirma que a universidade deve usar as receitas próprias e deve haver um tecto máximo para as propinas de 2.º e 3.º ciclo, e Alcaide encontra solução na procura de investimento e fundos públicos e privados. Apesar de tudo, ambos apostam em iniciativas externas para garantir a sustentabilidade da universidade.

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Foto: Gonçalo Costa/ComUM

Fora propinas de 2.º e 3.º ciclo, e o debate sobre a fundação, os dois candidatos foram relativamente concordantes. Sobre a falta de condições de algumas instalações, como as infraestruturas do curso de Geografia e Planeamento e os laboratórios da Escola de Ciências, Alcaide refere mesmo: “Não há grande divergência, acho que todos defendemos as instalações que devem ser necessárias”.

Uma das grandes novidades nesta eleição para o Conselho Geral é o voto electrónico, um mecanismo que vai “facilitar as questões de acesso”, segundo Bruno Alcaide. O seu concorrente vai mais longe, afirmando que fica “desiludido se esta não for a eleição mais participada para o CG”, por via da proximidade que traz entre os estudantes e a eleição.

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Foto: Gonçalo Costa/ComUM

Num debate entre “Brunos”, não houve um claríssimo vencedor. Houve as “farpas” típicas de um bom debate, com uma das mais claras a pertencer a Bruno Gonçalves, ao afirmar que as sete páginas do seu plano eleitoral eram demais para a disponibilidade de Bruno Alcaide. Mas no cerne de um bom debate, entre candidatos muito claros nas suas ideias, pautou a concordância.