“A minha carreira de quatro meses”. O público ri-se. É sobretudo de uma forma descontraída que Ricardo Leite se apresenta na XX edição das Jornadas da Comunicação, organizadas pelo GACCUM. Ricardo Leite é o vencedor do prémio Sophia Estudante no ano de 2016, ao que este esclarece: “O prémio Sophia é equivalente a um Óscar em Portugal”.

Em entrevista ao ComUM, Ricardo afirma que a sua curta “A Instalação do Medo” se trata de uma comédia negra e que “o governo vem-nos instalar o medo”.

ComUM: Como surgiu o projeto da curta?

Ricardo Leite: Fui eu que quis fazer este filme, já entrei para o mestrado com esta ideia, mas no meu curso temos três opções: estágio, dissertação ou um filme. Na altura, foi por causa disso que fiz «A Instalação do Medo».

Quanto tempo demorou a produzir?

O que aconteceu foi que eu li o livro e quis transportá-lo para o cinema, mas o processo de adaptação do texto demorou um ano. Houve ainda cerca de meio ano para a pré-produção e outro meio ano para a pós-produção.

Quais foram os principais desafios que sentiste?

Primeiro foi logo adaptar porque é uma obra muito rica e nem tudo cabia na curta-metragem. Às vezes, é complicado manteres-te fiel ao que o livro está a tentar transmitir e depois passar para imagem. Depois foi a pré-produção porque quando se tem pouco dinheiro para fazer uma coisa tão ambiciosa acaba por ser muito complicado de conseguir gerir e demora-se sempre muito mais tempo.

O que mudou depois de ganhar este prémio?

Não sei. Acho que a única coisa é que estou com mais vontade para fazer outro filme. Não mudou muita coisa. E ganha-se sempre mais visibilidade.

Quais são os teus projetos para o futuro?

Estou agora a preparar outra curta-metragem. Vai ser, à partida, uma comédia negra mais virada para a comédia. E queria produzir ainda este ano, começar a rodar este ano. Mas quero continuar a fazer cinema.

Achas que será possível continuares a fazer cinema em Portugal, ou queres ir para o estrangeiro?

Toda a gente tem direito a tentar fazer o que quer no seu país e existem meios para fazer isso cá. Eu não sou menos do que ninguém para tentar e sinto-me capaz de fazer cá. Estamos a fazer uma coisa complicada que é contar histórias, e ao contares histórias estás a ir às tuas raízes e à tua cultura e tens de as conhecer bem, o que seria difícil no estrangeiro.

O teu objetivo é continuar a fazer curtas ou queres também fazer longas-metragens?

A longo prazo quero fazer longas-metragens. O próximo projeto ainda não. Acho que preciso de fazer ainda outra curta. Quero mesmo fazer curtas para cinema.

Quais são os realizadores portugueses que mais aprecias na atualidade?

Gosto muito do Marco Martins, Jorge Pelicano e João Canijo. Se calhar identifico-me com o tipo de storytelling que eles têm e da maneira como conduzem as histórias. É isso que principalmente me interessa e que eu gosto.