Salvador Sobral atuou ontem, pela primeira vez, no Theatro Circo, em Braga. “Autumm in New York”, “Ay Amor” e “Nem Eu” foram algumas das músicas ouvidas. A tão esperada canção “Amar pelos Dois”, que o ditou vencedor do Festival da Eurovisão, fez as delícias do público, que acompanhou a sua voz.

Eram muitas as pessoas que esperavam à porta do Theatro. Susana Viegas e Ângela Viegas confessam que ouviam, “mas não muito”, as músicas do Salvador “antes da Eurovisão”. Ângela Viegas acrescentou, sorrindo, que “vai ser especial”.

Mariana Prata/ComUM

Mariana Prata/ComUM

O vencedor da Eurovisão surgiu em palco sorridente, confessando que Braga tem “o teatro mais bonito da Europa”, apesar de nunca ter estado “em todos”. “Vim aqui com a minha irmã, quando ela esteve cá, e eu disse-lhe que um dia ia cantar aqui. Olhem, não foi muito tempo depois”, disse. “Vamos conversar e cantar. A música em si é já uma conversa”, acrescentou.

O público aplaudiu e dançou nos seus lugares as canções do primeiro álbum. Ainda houve tempo de cantar uma música do segundo disco: “Ela disse-me assim”. As canções, cantadas em inglês, espanhol e português, num estilo próximo do jazz e do blues, foram acompanhadas por piano com Victor Zamora, por André Rosinha no contrabaixo, e por Bruno Pedro na bateria.

Quando se ouvia apenas o instrumental, Sobral afastava-se da luz que incidia sobre ele, mas sempre a sentir a música de olhos fechados. As luzes centraram-se nos restantes músicos, que trocavam olhares e sorrisos entre si.

Mariana Prata/ComUM

 

Ao longo do concerto, Sobral foi contando algumas histórias, arrancando as gargalhadas do público. “O palco tem várias coisas bonitas e mágicas. Acordei estranho. Sentia náuseas e ninguém me podia tocar. E estou aqui ótimo. A seguir vai ser terrível, mas agora estou ótimo”, revelou. “Num concerto é normal haver vários estados de espírito. E eu sinto-me bem quando as pessoas dizem que se sentiram tristes e felizes no meu concerto”, acrescentou.

De pé, cantou “Nem eu”, com tons graves e agudos, ao qual o público ia acompanhando, em silêncio, de olhos postos no palco. Salvador pediu aos espectadores para cantarem consigo: “No corpo e na alma estava o coração”. Ora à esquerda ou à direita da moldura humana, o público funcionou como um coro. “Qualquer cidade é bonita para se apaixonarem”, diz.

Mariana Prata/ComUM

Mariana Prata/ComUM

Já depois de uma hora de concerto, ouviu-se a canção pela qual todos ansiavam. “Amar pelos Dois” foi o momento alto da noite, em que todos cantaram em conjunto. Salvador ficou também sozinho em palco, a tocar piano. Dedicou um medley a um amigo que o “ajudou muito”. Quase cabisbaixo e de olhos fechados, desfrutou do momento. “Nós temos de escrever aquilo que nos vai na alma”, confessa.

No fim, de pé, os espectadores aplaudiram e assobios fizeram-se ouvir. Salvador agradeceu a todos por estarem presentes. “Espero um dia poder voltar a este teatro”, rematou.

Mariana Prata/ComUM

Mariana Prata/ComUM

O público mostrou-se satisfeito e surpreendido pela positiva. “Superou as minhas expetativas”, diz Renata Teixeira, apesar de estar “à espera”, pois “os músicos são fantásticos” e “a voz dele é magnífica”.