Pelo 15.º ano consecutivo, os Escadórios do Bom Jesus receberam, no passado dia 8 de julho, mais uma edição do Vozes sobre a Cidade. O concerto, organizado e protagonizado pelo Coro Académico da Universidade do Minho (CAUM), representa o culminar do ano letivo e, nesta edição, contou com a apresentação de um novo álbum e do projeto solidário Prometeu.

O cenário era o ideal para o que se avizinhava ser um agradável serão de verão. Com uma vista privilegiada sobre a cidade, a audiência espalhava-se pelas escadas defronte da igreja que, do alto, vigia a cidade bracarense.

Alguns minutos após a hora marcada, o coro deu início à sua apresentação. Ao longo de quase hora e meia, num registo a capella, as vozes das dezenas de elementos que compõem o CAUM ecoaram no santuário e correram um vasto reportório. Passando essencialmente pela música tradicional, as canções abrangeram as várias regiões do país, trazendo temas bem conhecidos como “Malhão” e “Não quero que vás à monda”.

O XV Vozes Sobre a Cidade serviu também para que o CAUM desse a conhecer o seu disco “Na promessa de uma canção”, que assinala os 10 anos de direção coral do maestro Rui Paulo Teixeira. No mesmo dia, o álbum foi lançado nas plataformas online e brevemente estará disponível em formato físico. Foram interpretados oito dos 13 temas que constituem o disco, entre os quais o hino comemorativo dos 25 anos do coro, “De um negro a chama”, composto pelo CAUM e seu maestro.

Numa noite marcada pela harmonia, houve também lugar para emoções fortes, uma vez que sete coristas receberam o coralinho, ou seja, deu-se a sua passagem de associados caloiros a coristas efetivos. Esta peça do traje simboliza o culminar de uma caminhada marcada por esforço e dedicação e uma nova etapa de responsabilidade acrescida.

A última parte do evento trouxe os antigos coristas para interpretarem um tema com o grupo, os habituais agradecimentos aos que tornam o espetáculo possível, mas também a apresentação do projeto solidário Prometeu. Este é um projeto que tem vindo a ser desenvolvido desde outubro passado e partiu do desafio de uma corista que esteve em Cabo Verde durante alguns meses. Nas palavras do próprio CAUM, irá levar a “cultura portuguesa mais além, sendo esta cultura a nível musical e social, visando a criação de fortes laços e sinergias interculturais…”.

Com a iniciativa, o CAUM, em vez da sua digressão anual de verão, irá concretizar este projeto entre 13 e 26 de julho, na ilha de Santiago. A vereadora da cultura da Câmara Municipal de Braga, Dra. Lídia Dias, também irá participar na viagem, a convite do grupo coral, e esteve presente no evento para reafirmar o seu compromisso com este projeto.

Os objetivos passam pelo desenvolvimento local, através de atividades como workshops, palestras, feira de profissões, rastreios médicos e mostras culturais, e também pelo intercâmbio cultural, como explica Juliana Ramalho, presidente do CAUM: “O nosso objetivo é, para além de levar, trazer. Nós vamos levar muito, vamos ensinar, mas também vamos aprender muito. Vai ser um grande desafio porque é uma realidade completamente diferente… E acho que viremos embora com uma grande bagagem de ensinamentos, que nos vão ser muito úteis para o futuro”. Como tal, o CAUM interpretou dois temas que levará a terras cabo-verdianas já na próxima semana: “Chica” e “Ilha de Santiago”.

O balanço da noite feito pela presidente do grupo é positivo. Apesar da apreensão causada pelas condições meteorológicas e pelo facto de o Bom Jesus, não obstante se tratar de um local emblemático, ser “fora do centro de Braga” e tal dificultar a afluência das pessoas, considerou que a plateia estava “muito composta”. Além disso, sentiu que o espetáculo agradou ao público: “Parece-me, do feedback que até agora recebi, que todos gostaram”.

Afinal, o Vozes Sobre a Cidade permite que este grupo se apresente precisamente à sua cidade-mãe e nesta edição pôde mostrar a sua variedade musical e uma “identidade mais portuguesa, mais tradicional” que querem que chegue além-fronteiras: “Queremos levar a nossa verdadeira cultura, as nossas raízes”.