Os concertos de Mallu Magalhães tornam-se cada vez mais imperdíveis. E a Casa das Artes de Famalicão cheia para ver a brasileira prova-o. Mallu Magalhães fez ontem no Minho mais uma paragem na tour do seu mais recente álbum, “Vem”, apresentado em Junho, num concerto repleto de sorrisos, novos sons, e também antigas músicas da cantora a residir em Lisboa.

A cortina abriu-se já com Mallu e toda a sua banda em palco. Não há formalidades entre Mallu Magalhães e a plateia: ela canta como se estivesse a cantar em casa, sozinha. Há um destoar agradável com todo o ambiente de uma sala de espectáculos, e raras são as caras que não sorriem a ouvir aquela música brasileira bem calma e carinhosa.

Diogo Rodrigues/ ComUM

Depois de começar com três músicas do novo álbum, lançado a 9 de Junho deste ano, ouvimos “Sambinha Bom”, um tema já bem conhecido de Mallu e que nos transporta para o coração de São Paulo.

O público não fala, quase não canta, é o silêncio de quem está em casa a ouvir. Ri-se com as piadas da brasileira, e pouco mais. Mas é impossível não bater o pé, não sorrir com o falsete e o sorriso sem falhas de Mallu Magalhães. “Vai e Vem”, do novo álbum, é o concerto compactado numa música: bem leve, com Mallu agarrada à sua guitarra, dançando no seu lugar, e lançando sorrisos e falsetes tão calmos e límpidos como se ouvisse uma gravação.

“És linda, Mallu!”, gritam das primeiras filas. “Obrigada, mas é só maquilhagem” responde Mallu, sotaque e sorriso bem carregados. “Achei-a super simpática com o público, super pura e honestamente feliz por estar ali”, diz Daniela Nogueira, estudante universitária. A jovem, de 19 anos, visivelmente alegre depois de sair do concerto, diz ainda que “é impossível ter saído de lá desiludida, até porque ainda tivemos direito a uma ou outra música da banda do mar, que são sempre bónus fantásticos”.

Mallu fala pouco entre as músicas, mas não deixou de falar dos lugares que lhe são mais especiais: Lisboa e São Paulo. Cada cidade com a sua música. “Linha Verde” tem um início a fazer lembrar o fado lisboeta, e os tons lisboetas estão bem presentes no tema, mas depressa entra a voz terna e carinhosa de Mallu nos inunda e nos deixa em pele de galinha. É smooth, relaxante, e vemo-nos imediatamente a passear pelo Bairro Alto. Já “São Paulo” é alegre, é forte, é toda a confusão alegre da cidade paulistana.

Diogo Rodrigues/ ComUM

Diogo Rodrigues/ ComUM

Diogo Rodrigues/ ComUM

Diogo Rodrigues/ ComUM

“Velha e Louca” é sem dúvida a música mais reconhecida pelo público, e a que fez levantar mais palmas ritmadas com a voz de Mallu. É demasiado alegre para não bater palmas.

Mas Mallu Magalhães não é uma senhora de apenas música brasileira. Há música country (a lembrar o seu álbum “Highly Sensitive”) e música a lembrar as big bands dos velhos tempos do blues, bem acompanhada de trompetes. A juntar tudo está o single do novo álbum, “Você Não Presta”, em que ouvimos claramente o típico samba, mas os sopros dão um toco de jazz bem diferente. Há pessoas nas últimas filas a dançar, o que mostra o quão irresistivelmente alegre é a música de Mallu.

Mallu despediu-se de Famalicão com uma música dos Banda do Mar, projeto em que participou com o marido, Marcelo Camelo (que também ajudou a editar este novo álbum), “Muitos Chocolates”. E com a música, veio uma ovação em pé para a jovem brasileira de apenas 25 anos.

Sobram apenas duas datas na digressão de Mallu Magalhães: 14 de Outubro em Ovar, e dia 24 de Outubro em Lisboa, no Tivoli. Mas seja onde for que Mallu for fazer a festa, todo o outro lado não presta.