Inês Dias, aluna de Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, candidata a presidente da lista C para o Conselho Fiscal e Jurisdicional (CFJ) discorda com alguns comportamentos da atual direção, como é o caso do acesso público aos pareces de contas da AAUM, que é competência do CFJ. “Pretendemos que estes pareceres sejam públicos, até porque o relatório de atividades e o plano intermédio de contas também o são”, afirma.

A candidata a este órgão vê a sua experiência em vários cargos nas direções anteriores da AAUM como um “ponto a favor”. Questionada sobre as afirmações da Lista D em relação ao “secretismo” e ao “distanciamento”, Inês Dias afirma: “Também já fiz parte da direção, portanto conheço aquela que é a realidade da associação académica e sei que não há esse “secretismo”.

Com o mote de campanha “Compromisso com a academia” é pretendido um esclarecimento juntos dos estudantes sobre o CFJ e a forma como funciona, “há mesmo pouca gente a conhecer o Conselho Fiscal e Jurisdicional”, acrescenta. O Conselho Fiscal e Jurisdicional da Associação Académica da Universidade do Minho é o órgão responsável pela fiscalização e jurisdição de toda a atuação da direção da Associação Académica.

As habituais altas taxas de abstenções nas eleições para a AAUM são também uma preocupação da candidata que reconhece “a dificuldade em combater a abstenção, principalmente porque este ano o CFJ é o único órgão com duas listas concorrentes, o que deverá manter os valores registados até agora”, apesar de não ser o desejado pela lista C.

Sublinhou, ainda, a importância de “uma equipa de nove pessoas, de campi todos distintos”, que permite à lista, chegar “a um leque grande da comunidade académica”. É através desta cobertura das diferentes áreas da universidade que a lista pretende alcançar os seus valores de transparência e proximidade, como afirma a candidata Inês Dias.

ComUM: Este é um órgão que não é conhecido por grande parte da comunidade académica, nestas eleições, como tencionam contornar este problema? Como pretendem pôr em prática “o esclarecimento da comunidade académica” que a lista propõe?

Inês Dias: De facto, há mesmo muito pouca gente que conhece o CFJ, portanto uma das nossas bandeiras de campanha será essa aproximação aos estudantes, que será feita de três formas distintas. Primeiramente, pretendemos lançar alguns “sabias que” acerca daquilo que é o funcionamento do Conselho Fiscal. Vamos ter durante esta semana de campanha uma mesa tanto em Gualtar como em Azurém. A segunda forma, é o facto de termos uma equipa de nove pessoas, de campi todos distintos. Através destas pessoas chegaremos a um leque grande da comunidade académica. Independentemente do resultado, pretendemos que quando começarmos a exercer funções haja uma aproximação progressiva àquela que são as nossas funções durante o ano. Portanto, desejamos envolver os estudantes naquilo que é a missão e o trabalho do Conselho Fiscal e chamá-los mais àquela que é a realidade da direção e da mesa da Assembleia Geral da AAUM, até porque o nosso trabalho depende única e exclusivamente daquele que é o trabalho da associação.

ComUM: No site oficial da AAUM, na parte dos Documentos que dizem respeito à atual constituição do CFJ não existe uma única publicação com acesso ao público. Os pareceres de contas deviriam ser divulgados à comunidade académica?

Inês Dias: Os pareceres de contas são apresentados na Reunião Geral de Alunos, portanto, tendo em conta que existe esse espaço pretendemos que esses pareceres sejam públicos. Até porque o relatório de atividades e o plano intermédio de contas também o são. Achamos que também faz sentido que estes documentos sejam públicos, portanto, à partida, ficariam nesse local do site.

ComUM: De forma geral, as listas candidatas ao longo dos anos ao CFJ falam de transparência e esclarecimento. De que forma a lista C se distinguirá neste âmbito?

Inês Dias: Primeiro, através do facto de termos elementos de vários campi, porque aquilo que acontecia era que a realidade do Conselho Fiscal ficava restrita a Gualtar e a Azurém e não era tão abrangente na sua intervenção. A partir daí conseguimos trazer mais essa transparência e essa proximidade. Através da publicação dos documentos para qualquer estudante ter acesso a eles. Essa transparência e essa independência dos órgãos é o rigor que pretendemos pôr naquilo que é o nosso trabalho.

ComUM: A lista D, também candidata ao CFJ, acusa o atual órgão de “secretismo e distanciamento dos alunos”, como é que a lista vê estas declarações?

Inês Dias: Há algumas acusações por parte da lista D que, sinceramente, não me revejo. Mesmo na questão de, tendencialmente, o Conselho Fiscal ter elementos que são subjugados àquilo que é a vontade dos elementos da direção da AAUM. Também já fiz parte da direção, portanto, conheço aquela que é a realidade da Associação Académica e sei que não há esse “secretismo”. É claro que há pessoas que fizeram parte do Conselho Fiscal que, de facto, como no meu caso, fizeram parte da direção. Sinceramente, acho que isso é uma mais valia porque para além de estarmos atentos àquela que é a realidade da Associação Académica, estamos igualmente alerta para aquilo que os estudantes precisam e aos seus interesses. Sabemos quais são os meios e as formas de atuação da AAUM e isso ajuda. Mesmo que isso fosse uma realidade em anos anteriores, através daquilo que pretendemos implementar e da proximidade que pretendemos ter aos estudantes acho que esse secretismo e essa forma de expor as coisas não fez e não fará sentido.

ComUM: Como membro de direções anteriores da AAUM tem o conhecimento do número de abstenção elevado que as eleições da AAUM apresentem. Como lista candidata a um órgão que tem “como prioridade os estudantes”, como afirmam, o que esperam da adesão dos estudantes este ano e como pretendem atuar perante esses números?

Inês Dias: Aquilo que queremos mesmo é que os valores de abstenção sejam reduzidos. Não sei até que ponto isso será conseguido até porque, tendencialmente, quantas mais listas concorrentes à direção e aos restantes órgãos, maior a adesão às urnas. Tendo em conta que só há listas concorrentes no Conselho Fiscal, esses valores manterão ou poderão ser reduzidos minimamente. Da nossa parte, aquilo que podemos prometer aos estudantes, enquanto nossa prioridade, é o nosso desejo de que eles se envolvam mais. Através disso, queremos fazer perceber às pessoas que têm toda a legitimidade para reclamar o que quer que seja e toda a legitimidade de serem defendidos pelo que quer que seja, mas, para que isso aconteça, também têm de legitimar essas vontades e esses interesses no dia das eleições. É um dever nosso, enquanto estudantes, fazer com que o dia 5 seja um dia legítimo para todos nós, não só para as listas concorrentes, mas, sobretudo, para os estudantes porque faz cada vez menos sentido que as pessoas deixem isto passar.

Texto: Ana Maria Ramos e Sara Gonçalves