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"Feels like I'm in Heaven... or should I say Graveyard"

Na base do blues, do rock psicadélico e também do stoner, a banda construiu um estilo intenso que agrada tanto a fãs do metal como do indie em Hisingen Blues. Na base do blues, do rock psicadélico e também do stoner, a banda construiu um estilo intenso que agrada tanto a fãs do metal como do indie em Hisingen Blues. |
  • Artista / Banda: Graveyard
  • Nome do Álbum: Hisingen Blues
  • Editora: Nuclear Blast
  • Ano de Lançamento: 2011
  • Veredito: ★★★★

Se o vosso sonho é entrar numa máquina do tempo, viajar até aos anos 70 e ser transportado até um concerto dos Led Zeppelin, Black Sabbath ou Blue Cheer, o segundo álbum dos Graveyard pode proporcionar-nos uma experiência parecida. 

A banda que surgiu dos extintos Norrsken, formação que deu origem também aos Witchcraft, põe a Suécia no mapa do hard-rock feito à moda antiga, e traz-nos um álbum onde a alma e a paixão escorrem de cada acorde. Se já com o primeiro e homónimo álbum os Graveyard o tinham conseguido, Hisingen Blues lançado em abril deste ano é uma gloriosa confirmação desse mesmo talento e fervor.

Façamos uma breve análise ao álbum. "Ain't Fit to Live Here" não é das melhores músicas da banda sueca, mas dá-nos logo uma injeção de energia que nos prepara para o que vem a seguir e nos deixa logo à partida viciados no som dos Graveyard e na incrível voz de Joakim Nilsson (e aqui vos confirmo que ao vivo não desilude um segundo).

O tema que se segue é "No Good, Mr Holden", confesso que no meu caso foi a faixa que mais me cativou da primeira vez que ouvi o álbum. Com duração de quase cinco minutos, esta música começa com a inversão do refrão, não sendo por isso percetível essa parte da letra. Porém, à medida que a canção vai avançando, o resultado não podia ser melhor, pois quando chegamos ao refrão este já nos é familiar. Podendo ser considerado uma balada, este é um dos temas mais intensos do álbum e uma das suas particularidades, aliás uma das características da banda mesmo, é ser bastante visual como podemos ver em alguns versos, como estes por exemplo: «Just give me your mind your head and your soul/ Give me your sun and show me your moon».

"Hisingen Blues", a faixa que dá nome ao álbum, ocupa o terceiro lugar no alinhamento. Inteligentemente, foi escolhida como single de apresentação do álbum, sendo a única música com videoclip oficial, e define completamente o estilo da banda sueca. A letra desta música acaba por ser um pouco épica, falando de demónios amigos e dragões, («Going by the riot/call the rest a stone/leading to the isle where i dont wanna go») e de toda uma aventura mítica passada nesta ilha, num hino tecido sobre o blues.

"Uncomfortably Numb" remete-nos imediatamente para o célebre tema dos Pink Floyd. Ter-se-à tratado de uma homenagem? Ambas têm características em comum, a capacidade de nos envolver e dos nos transportar para outra realidade, porém, no tema dos Graveyard isto não é feito exatamente com o nosso consentimento, mas sim com uma certa resignação. A letra centra-se exatamente no tema que os Led Zeppelin mais abordavam, o amor. E claro que aqui ele é tratado na sua forma mais dolorosa, mas ao contrário das letras dos seus antecessores britânicos, em que a culpa era toda atribuída à figura feminina, aqui vê contada a história de uma relação condenada ao falhanço desde o início, como podemos perceber pelo início do refrão: «I've been leaving you since the day we met/ And it feels like you have too». É, sem dúvida, das músicas mais marcantes do álbum.

"Buying Truth (Tack & Förlåt)" é o quinto tema de Hisingen Blues, (tack e förlåt, palavras suecas que em português significam obrigado e desculpa) e é o tema que nos traz de novo mais um grande golpe de energia. Leva-nos também para outro assunto a nível de letras, a crítica aos valores morais, algo muito marcado também no álbum anterior. Aliás, a crítica social também aparece no tema "Hisingen Blues", mas os Graveyard têm uma forma muito peculiar de caracterizar o mundo à sua volta, como mais à frente disso trataremos. "Longing" é a faixa que se segue, embora seja só instrumental, é considerada por muitos como a melhor música do álbum. Ela leva-nos para ambientes longínquos e quase sempre cinematográficos, a referência a The Good, the Bad and the Ugly é quase imediata, e normalmente seguida por uma alusão a Kill Bill. Estamos claramente perante um tema perfeito para a banda sonora de um western.

"Ungrateful Are the Dead" retoma um pouco a essência de "Buying Truth", ambas nos transmitem uma forte vibração blues e nos soam um pouco a Blue Cheer. Quem diria que ainda assistiríamos a isso em pleno século XXI? E assim seguimos para "RSS" que continua a não nos desiludir nesta onda e não nos deixa descansar deste groove incansável, e nos prepara para o grande final – "The Siren".

Quem conhece o primeiro e homónimo álbum dos Graveyard, sabe que "The Siren" finaliza Hisingen Blues, tal como "Satan’s Finest" finaliza o primeiro, e enquanto a última tece uma forte crítica social falando das principais tentações a que o homem cede e de como o demónio nos tenta, na primeira esse demónio também está lá (como não deixa de estar no tema "Hisingen Blues", se bem que com uma conotação completamente diferente). «Tonight a demon came into my head and tried to choke me in my sleep» é o refrão que não nos deixa indiferente e nos vai ficar na cabeça por horas e horas a fio. Mais uma vez, para os Graveyard o amor é a salvação e algo que nos pode salvar da maldição que nos atormenta: «In the darkest hour, my woman brought me back to life». É, sem dúvida, o melhor clímax que os Graveyard poderiam ter dado como desfecho pela intensidade, pela junção perfeita do blues e do stoner, e pela história e sensação de despertar de um pesadelo que realmente nos consegue transmitir.

Sentimentos que nos ficam não só depois de ouvir "The Siren", mas depois de ouvir todo o álbum. Sentimentos e frases que Hisingen Blues inspiram em quem os ouve, pois meus caros amigos o título desta crítica não é da minha autoria, é sim uma frase que vi num comentário no youtube feito por um utilizador no vídeo desta mesma última faixa.

Mas Hisingen Blues não ficou por aqui. Pouco tempo depois, foi lançada outra versão com mais três temas de bónus. Dois destes não eram desconhecidos, tratavam-se de versões ao vivo de duas faixas do álbum anterior: "Blue Soul" e "As The Years Pass By, The Hours Bend", mas os Graveyard decidiram incluir uma surpresa para os seus fãs, um novo tema – "Cooking Brew". Não desiludindo no instrumental e vigor, o que mais ressalto nesta música é o facto de ser extremamente visual: «Blue turns red, While the green turns brown, I walk away from my past/… When blue turns black and gray no longer turns you on…»; de facto toda esta miscelânea de cores reforça ainda mais o carácter psicadélico da banda e metafórico das suas letras.

Em concerto, os Graveyard também não desiludem. Que o diga quem esteve em Barcelos, no festival Milhões de Festa, neste verão.

Última vez modificada em segunda, 07 novembro 2011 16:51
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Mariana Sousa Santos

Estudante de Mestrado em Ciências da Comunicação - Especialização em Audiovisual e Multimédia

http://facebook.com/nikolskywermut

Website: marianasousasantos.blogspot.com/
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