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Parece, mas ele diz que não é Cristo

Capa do álbum de Josh T. Pearson Capa do álbum de Josh T. Pearson |
  • Artista / Banda: Josh T. Pearson
  • Nome do Álbum: Last of The Country Gentlemen
  • Editora: Mute
  • Ano de Lançamento: 2011
  • Veredito: N/D

Last of The Country Gentlemen é algo especial, por ser um daqueles raros momentos de verdadeira intimidade com quem partilha os seus sentimentos na forma de canções.

Todo o leitor saberá, de uma forma ou de outra, como se sente uma pessoa quando termina uma relação amorosa com outra. Todas as experiências são diferentes, as circunstâncias mudam com os intervenientes e com a própria altura da vida em que algo assim acontece. Contudo, fica sempre uma espécie de dor emocional, que pode manifestar-se de inúmeras formas. Pode até nem ser perceptível àqueles por mais solidários que almejem ser, em pouco poderão ajudar.

A última frase do parágrafo que antecede este que inicio agora, não prima pela imparcialidade. Com certeza há quem discorde, talvez seja até uma generalização errada porque a faço com a minha própria visão acerca do assunto. Preocupa-me? Não. Uma preocupação que Josh T. Pearson também não tem, neste intenso álbum de confissões sobre uma relação falhada.

Onde quase todos falharam por défice de autenticidade ou excessos emocionais, Josh consegue meter a mão sobre o coração e transformar tudo o que sobrou de um desgosto amoroso, num fantástico álbum, algo que só os mais corajosos e geniais músicos são capazes.

Anteriormente conhecido como frontman dos precocemente extintos Lift to Experience, Josh T. Pearson vira-se para a carreira a solo, produzindo ele próprio algumas gravações ao vivo em concertos recentes (o bootleg To Hull and Back e um DVD single Live in Paris) e entrando no álbum Fur and Gold dos Bat for Lashes como guitarra e voz de apoio em duas músicas. Durante dez anos seguidos, gravou uma única canção em estúdio, uma versão de "I’m So Lonesome I Could Cry" de Hank Williams, sinal de preguiça? Talvez não, já que os concertos iam acontecendo, passando algumas vezes pelo All Tomorrow’s Parties em Inglaterra. O barbudo músico, apesar de agarrar a guitarra acústica neste álbum, não deixa de tocar algumas músicas com guitarra elétrica ao vivo, lembrando a anterior experiência com os Lift to Experience.

"Thou art Loosed" apesar de curta é o prenúncio de que algo de excecional está para vir. A seguir vem a primeira canção épica: "Sweetheart, I Ain’t your Christ" onze minutos onde se misturam crenças religiosas com desejos, mudando de estrutura mais ou menos a meio, tornando-se mais desesperante, à medida que Pearson se apercebe não há soluções e que o final da relação é inevitável. Assentando numa base mais country "Last of The Country Gentlemen" vai aumentando de intensidade gradualmente, como que numa confissão dos seus pecados e desamores.

Um dos melhores momentos do álbum talvez esteja na música, "Woman, When I’ve Raised Hell" que consegue juntar a agonia de uma voz soberba, a acordes simples e a um violino que espelha perfeitamente desgosto profundo. Faz com que quem esteja sozinho se questione, até que ponto deu cabo das coisas, até que ponto a sua vida estar numa confusão é apenas por culpa própria. "Honeymoons Great Wish You Were Her" é também um momento de elevação, onde por entre versos carregados de dor, quase parece soar como se estivesse prestes a chorar, à medida que se esforça para acalmar os seus demónios interiores, enquanto imagina dizer os versos a uma mulher que vai amar para sempre, mas nunca vai estar com ela.

O som de todo o álbum é cativante e as duas partes que o constituem - um minimalismo sussurrante e uma carga excessiva de emoções – envolvem-se num conflito e confundem-se, criando assim um palco perfeito para se perceber a intensidade da tragédia que o Josh nos descreve. Não há volta atrás, não há redenção, Josh sabendo disso, partilhando estes momentos tão íntimos, encontra uma espécie de catarse para conseguir manter-se de pé, sozinho, são.

Última vez modificada em quinta, 15 dezembro 2011 19:45
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