No passado dia 16 do mês de Junho do ano transato, assisti à apresentação pública do seu mais recente álbum. A surpresa não podia ser melhor. O novo vocalista veio colmatar um vazio deixado pela saída da voz anterior. Contudo, a nova voz consegue dar uma nova cara a uma banda que se carateriza por uma multiplicidade de estilos e instrumentos de linhas dispersas mas congruentes. Os próprios caraterizam-se influenciados por: «outstanding bands from Sigur Rós, Depeche Mode, Dead Can Dance, to U2, Pink Floyd and Radiohead».
Podemos falar agora do álbum. Intitula-se Empty Space. As músicas que encontramos podem agradar ou simplesmente desagradar, mas irão ficar sempre no ouvido pelo som quase melodioso em algumas canções. A voz é o segredo da banda, aquilo que nos faz gostar do que eles criam. Porém, a parte instrumental é um órgão fundamental neste corpo de 5 elementos. Recomendo músicas obrigatórias a ouvir de imediato, tais como "In the End", "You Draw a Line Between" em colaboração com o experimentalista Noiserv e, finalmente, a "The Walking Dead", que vai ter promoção durante esta semana na rádio Antena 3 e posterior passagem no Top+ da RTP1.
É uma banda de extrema qualidade que, em pouco mais de 4 anos de existência, tem vindo a lutar por se impor no panorama musical nacional. E sobre isto também gostava de falar um pouco: Nunca deixando que as emoções me estraguem o raciocínio, é uma pena que esta banda não encontre o apoio necessário das estruturas musicais neste país. Como todos sabemos, o mercado em Portugal é pequeno. O poder de quem pode ou não pode ter sucesso depende de poucos. E, muitas vezes, o que interessa não é propriamente a qualidade, mas sim a quantidade de dinheiro que produz. Isto leva-nos a que os artistas musicais que ganham mais dinheiro em Portugal, sejam pessoas de extremo sucesso musical, mas um pouco possíveis de crítica quanto à sua verdadeira qualidade.
Mas claro que também não podemos esquecer os mercados e as editoras nacionais com mais liberdade, que também têm interesses capitalistas. No fundo são apenas empresas. Mais importante ainda seria analisar as pessoas, individualmente, pensarem porque nunca ouviram músicas dos Utter a passar na rádio como, por exemplo, a tão repetida "Ai, se eu te Pego". Simplesmente não vende. Logo, os meios que nos fabricam o consenso não publicitam. Como podemos ser manipulados, não?
Independentemente disso, a banda apresenta-se neste novo ano com uma pequena reformulação. Apresentam novas fotografias, uma aposta nos concertos a nível nacional e internacional. E, para eles, mais importante é que as pessoas gostem da sua música.
Recomendo vivamente a pararem e a escutar o novo álbum desta banda surpresa nacional de 2011, que conseguiu surpreender pelo lado mais positivo. Mais informações podem ser vistas na sua página oficial no MySpace: http://www.myspace.com/utterutter