João Oliveira
1- Severant , Kuedo
Quiçá com miaúfa (compreensível) que o Skrillex atirasse a batata quente para as mãos do seu projeto Vex’d, admitindo-os como mais uma das suas influências (e mesmo não sendo o caso, desde que o Skream disse isto, uma pessoa já espera de tudo), em Severant, Jamie Teasdale completou uma curva apertadíssima – desviando-se dos Vex’d – que iniciara com os seus trabalhos prévios assinados como Kuedo. Severant é mais melódico, as canções crescem em torno do sintetizador, portanto o dubstep mastodôntico é passado. A Fact Mag concedeu-lhe um epíteto muito justo: “the best soundtrack to night driving we heard all year”. 2011 foi também o ano em que saiu Without You dos King Midas Sound, no qual Kuedo contribui com uma versão fantástica para “Goodbye Girl”. (Planet Mu)
2- Kaputt, Destroyer
Daniel Bejar já tinha uma catrefada de discos no currículo, mas Kaputt acabou por ser aquele que lhe deu mais público. Muito merecidamente, porque tem algumas das melhores canções pop de 2011. Baixos irrepreensíveis, orgias com saxofones, a voz preguiçosa de Bejar coadjuvada por coros femininos perfeitos, lírica digna de nota. Que um disco tenha a lata de ser tão leve e ainda assim tão bom, é provocação. (Merge Records)
3- The Chromium Fence, The Astroboy
The Astroboy é a outra pele de Luís Fernandes, guitarrista dos peixe:avião. The Chromium Fence, o seu terceiro disco, nitidamente marcado pela kosmische alemã, tem momentos tremendos, designadamente nas duas versões de “The Voight Score”, na canção que partilha o título com o álbum, ou na inicial “Coordination Sphere”, cuja guitarra soa demasiado subtil (fisicamente, o álbum só saiu em cassete: ganha-se em fetichismo nostálgico o que se perde noutras coisas) – ouça-se, portanto, a versão gravada para a Videoteca Bodyspace que está no YouTube. Tanto The Astroboy como a dupla Palmer Eldricht (ambos apostas da excelente editora bracarense PAD) viram o seu trabalho reconhecido pela revista britânica The Wire, de maneira que, havendo nova versão da compilação À Sombra de Deus, a PAD terá uma palavra a dizer. Depois, parece que, para além de uma editora, são um clube de fãs do K. Dick. (PAD)
Mariana Sousa Santos
1- Hisingen Blues, Graveyard
O segundo álbum dos suecos Graveyard marca sem dúvida uma viragem na forma de fazer rock e é difícil resistir ao seu revivalismo pelo hard rock dos anos 70. O concerto no Milhões de Festa tornou-os mais conhecidos do público português e este álbum é uma confirmação de que as influências de Led Zeppelin, Black Sabbath ou Blue Cheer não ficaram adormecidas nos anos dourados do rock. (Warner Music)
2- El Camino, The Black Keys
Após vários discos bem conseguidos, a dupla de Ohio prova que a receita original continua a fazer sucesso mesmo com o passar dos anos. Afinal o blues é um género intemporal e a banda de Dan Auerbach prova que não baixa a fasquia mesmo depois de Brothers, álbum do ano passado já muito aclamado pela crítica. Este reconhecimento tardio, tendo em conta que os Black Keys já existem desde 2001, prova que o garage rock está finalmente agora a mostrar os trunfos e que a febre indie do início da década passada tende a ser esquecida e o verdadeiro rock está de volta. (Nonesuch)
3- Build Your Beast A Fire, Weird Owl
Ainda bastante desconhecida, esta banda de Nova Iorque ofereceu-nos em 2011 um segundo álbum bastante psicadélico e místico como seria de esperar. Para quem não os conhece, posso dizer que fazem lembrar um pouco uns MGMT, menos eletrónicos, mais voltados para o stoner, permitindo-nos viagens mais profundas. Se no primeiro álbum nos faziam lembrar a acidez de bandas como 13th Floor Elevators, neste segundo estão bastantes mais calmos e introspetivos. A descobrir. (Tee Pee Records)