Dos seus trabalhos mais conhecidos, destaco I.A, um filme surpreendente na compreensão da interligação humano computador. Uma película de emoções filosóficas sobre valores fortes. Mas existe também E.T, onde o realizador explora, novamente de forma brilhante, as emoções, embora se focando no que poderá ser verdade ou existir no universo e como nós podemos comunicar com esses hipotéticos/reais extraterrestres. Ou até Tubarão...
Mas em todos aqueles filmes e noutros, começo a notar uma marca de autor em Steven Spielberg. Ele gosta de brincar com as emoções das pessoas. Gosta que elas se sintam ligadas de forma emocional ao objeto de visionamento, pelo menos durante o seu tempo de duração. Creio que, mais uma vez, podemos encontrar isso em War Horse. O filme possui uma narrativa multilinear e tem, como ponto forte mais emotivo, a figura do cavalo, quase metafísico no meio de um ambiente de guerra. Mas o que realmente contribui para que a emoção em nós apareça é a linguagem cinematográfica utilizada por Spielberg.
Planos rápidos, de forma a induzir, nos momentos de maior dramaticidade, alguma apreensão. Um pouco na linha do filme O Resgate do Soldado Ryan. Mas existe também uma estática fixação da imagem nos momentos em que é preciso reforçar a ligação entre a estória e o espectador. Recordo-me por exemplo do filme Lista de Schindler. Atrevia-me a dizer que War Horse parece quase uma fusão dos dois no que toca à sua estética.
No final, trata-se de um dos filmes mais emotivos de Steven Spielberg. A forma como este conta a estória, numa narrativa de caminhos paralelos que vão dar apenas a um fim, é uma curva de emoções. Acima de tudo, é uma homenagem a um animal que prestou um enorme serviço durante a Grande Guerra. E já há bastante tempo que Spielberg - na minha opinião - não era capaz de realizar um filme como este. O que o distingue são os pormenores mostrados em pequenas sequências de génio.
Uma dessas é a parte entre os soldados de lados diferentes da guerra a ajudar o animal que se encontrava enrolado em arame farpado, depois de ter que lutar pela vida numa sequência de tentativa de assassinato. Aí o absurdo ganha um crescente na emoção, mas que tem mais como forma de puro humor absurdo, em que nos interrogaremos: porque, afinal, estão em guerra uns com os outros? Já que aquilo que nos é mostrado são duas pessoas a ajudarem-se mutuamente e com conversas de amigos.
Aquele plano de pouco mais de cinco minutos, é um dos momentos mais delicosos do filme, onde várias emoções são exploradas e realmente se consegue fazer a diferença na mente de quem realiza filmes. Será por essa razão que Steven Spielberg consegue fazer sempre produções cinematográficas que nos marcam pelo lado emocional e são consideradas logo clássicos. Quero eu dizer que esta é um desses.