Efeitos perniciosos do uso de órgãos de comunicação social numa sociedade que se pretende de express PDF Imprimir e-mail

A notícia surgiu ontem, no COMUM on-line, e volta a lançar sérias dúvidas no que à liberdade de expressão permitida nesta universidade diz respeito.

Contextualizemos – a versão impressa deste jornal, na sua edição nº 6, da passada segunda-feira, trazia para a capa a história de 6 alunos de Direito que, por atraso na entrega dos resultados de um exame, viram o seu concurso para a Ordem dos Advogados ser adiado. Dois desses alunos deram a cara em entrevista de duas páginas e não teceram, o que é absolutamente compreensível, as melhores considerações acerca do professor em questão, devido à sua alegada arrogância (porque será que isto não me espanta?). A notícia de ontem referia que as notas foram, finalmente, lançadas, curiosamente, ou não, depois da publicação da primeira peça, e que variam entre o 1 e o 5 (numa escala de 0 20). Mais, ainda, ao tencionarem pedir revisão de prova, não encontraram o docente à sua espera mas sim uma professora estagiária, que nem revisão completa se dignou fazer.

Entre os vários silêncios do professor e da direcção da Escola de Direito há, pelo menos, algumas certezas que daqui se podem obter.

1.Não é novidade para ninguém o atraso na afixação de notas nesta universidade. Se, por um lado, alguns professores são inamovíveis quanto ao adiamento de prazos de entrega de trabalhos, por exemplo, não deixa de ser verdade que prescindem da importância dos prazos quando se trata de cumprirem os seus (o referido exame foi realizado a 27 de Fevereiro com prazo de entrega para 10 de Março. Em princípios de Abril os alunos ainda não sabiam a nota).

2.A arrogância e o desprezo com que alguns professores, mormente aqueles que têm os seus empregos como garantidamente perpétuos, tratam os estudantes são uma realidade sempre relatada, por muitos alunos dos mais variados cursos, embora de forma não tão mediática, é certo.

3.Coincidência, ou não, as notas foram afixadas logo após a notícia ter sido capa de um jornal académico o que poderá demonstrar bem o poder que os órgãos de comunicação social detêm na nossa sociedade (sendo que este é, apenas, um de muitos e variados exemplos, ao longo dos tempos). Trata-se de especulação poder afirmar que estas foram negativas (baixas) como forma de represália, mas é lícito que muitos se interroguem quanto a isso.

4.O docente em causa continua incontactável e a Escola de Direito afirma que apenas emitirá parecer oficial depois de o docente se pronunciar sobre o tema, o que leva a crer que a “procissão ainda vai no adro”.

Temos, assim, que numa universidade pública, onde a liberdade de expressão se quer apanágio, se sucedam os casos que provam, exactamente, o oposto. Afinal, em pleno século XXI, ainda pode ser perigoso dar a cara perante a comunicação social. De uma forma ou de outra, podem sempre existir represálias.

 

12/04/2008
Rui Afonso





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ruiafonso  - 3 notas 12-04-2008 16:15:18
Caro JLS!

Obrigado pelas três notas adicionais. Vêm acrescentar um pouco mais de luz a algo que ainda me parece demasiado sombrio. Aguardemos pelo desenrolar dos acontecimentos.
JLS 12-04-2008 12:27:42
Três notas.

1 - A professora estagiária não tem grande culpa ou não tem culpa nenhuma até. Como creio que a notícia principal referia: foi o regente, o tal professor, que facultou os critérios de correcção extremamente minuciosos, sem margem de manobra.
O que a notícia não refere, é que nem esta professora nem a outra deram aulas de obrigações durante o primeiro semestre. Aliás, uma delas nem dá. Esta, começou agora em Março, para substituir outra professora, que está de licença de parto.

2 - Para além deste litígio, o professor tem um outro com os alunos do 3º ano (o ano da cadeira). Curiosamente, aconteceu na semana anterior à notícia e ainda perdura e parece-me que perdurará... Mas isto para dizer que a sua natureza vingativa não se reflectiu apenas nestes 6 alunos. Dos 300 e tal inscritos, apenas cerca de 140 foram fazer o teste parcial (porque são só dois, durante o ano inteiro) e desses 140, apenas cerca de 30 obtiveram nota acima de 10.

3 - Este docente é "repetente" nestes episódios e como bem referes, está patente aqui o poder da comunicação social. Mas recordo, em particular, algo que aconteceu à 4 ou 5 anos atrás em que face às notas e ao elevadíssimo número de inscritos à cadeira (cerca de 400), o docente foi obrigado (como agora também aconteceu) a efectuar uma época especial aberta a todos os alunos. Obrigado por quem? Pela própria reitoria. Resultados? Não sei quantos alunos foram, efectivamente, fazer dito exame. Mas de 400 inscritos, passaram 4. 1%, portanto.
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Das praxes e dos seus novos sentidos e da tradição

1 – Os anos que passam e me prendem a esta universidade, apesar de licenciatura já finda e consequentes acrescentos, levam-me a tentar referir, mais uma vez, uma das mais polémicas iniciativas associativas. A praxe. Em bom ponto, por muitas e variadas vezes, a ela me referi. Defensor, desde sempre, pelo seu intuito inclusor, primeiramente, e pelo seu sentido adaptabilístico, em segunda instância, é natural que não me reveja nas posturas dos seus opositores.

Balanços

Votos contados, tal como se esperava, Luís Rodrigues é o novo presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). Grande vencedora, novamente, a abstenção. Expectável. Por um lado, uma oposição tacanha, balizada em chavões político-partidários e, pior que tudo, mais do mesmo. Achariam os candidatos das listas opositoras que o resultado seria diferente do ano transacto, quando apresentaram as mesmas caras, os mesmos projectos (ou vazio deles), as mesmas utopias?

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Sistema e Anti-sistema

“Nunca conheci ninguém que nadasse em sentido contrário à corrente. Conheço gente que faz coisas complicadas, corajosas, espantosas, mas sempre sempre no sentido da corrente. Toda a gente aceita um «sistema» e exerce a sua liberdade dentro desse sistema. Ninguém nada em direcção à nascente, vão sempre para a foz. Há pessoas de quem gosto, que admiro, que invejo, mas todas sem excepção agiram de modo previsível, de acordo com certas leis sociais ou biológicas, nunca ninguém fez nada que um «especialista» não explicasse como exemplo de manual. Talvez perguntem se fico triste com essa evidência. Talvez eu prefira não responder.”

Efeitos perniciosos do uso de órgãos de comunicação social numa sociedade que se pretende de express

A notícia surgiu ontem, no COMUM on-line, e volta a lançar sérias dúvidas no que à liberdade de expressão permitida nesta universidade diz respeito.

Cogito, ergo sum

Já seria noite longa. Ou, talvez, os copos boémios a tivessem transformado em tal, mesmo não o sendo. Discutiam-se, como se discutem sempre, em tertúlia que dispensa futebóis e, acima de tudo, treinadores de bancada, actualidades. Neste caso, a invasão do Iraque que defendi, defendo e defenderei. Ante a minha posição, fui cilindrado pelas frases-feitas de opinion makers, mormente por parte da chamada “esquerda bem pensante”.

Da boa educação

São trechos vários aqueles que me levam a reflectir acerca da educação que não existiu, ao longo de muitos e muitos anos, na vida da maioria dos actuais estudantes universitários (gostava tanto de acrescentar o “pseudo”). Trata-se por “tu” o funcionário, faz-se um “pssssst” se é necessário mais um copo, arrota-se, descaradamente, se a cerveja cai bem. Coçam-se partes íntimas e dizem-se, à boca cheia, palavrões. Vomita-se no espaço mais próximo.

Entre letras e finanças e uns disparates afins

1 – Faulkner preenche as margens. Em toda a sua obra encontra-se uma outra forma de estar, de ser... Em “O Som e a Fúria” descobre-se um dos seus lados mais românticos e, indubitavelmente, mais tripartidos. E o mundo não perdoa que a cidade, na sua morte, se transforme em preces de “Absalão, Absalão”.

À Margem

São 13 os anos contados, em dedos que já não chegam, de estadia na Universidade do Minho. Os mesmos que me permitem divagar sobre temas que outros julgam sensíveis ou, em alternativa (ou substituição), inatacáveis.

À esquerda a lista dos textos produzidos pelo(a) colaborador(a) em questão. À direita os seus dados pessoais.

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Rui Afonso

À margem

Cronista

Técnico de Relações Públicas
Comunicação Social
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