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O Enterro da Gata 2008 começou ontem ao som de Jorge Palma e de Gabriel o Pensador. Apesar do atraso de uma hora na abertura do Estádio AXA – a casa do Sporting Clube de Braga tomou, em definitivo, o lugar da Quinta dos Peões -, o recinto encheu para ouvir dois dos maiores nomes da música luso-brasileira.
Jorge Palma, no seu já conhecido tom ébrio, percorreu canções antigas e novas no meio de um público de várias gerações. As mais cantaroladas foram “Frágil”, “Bairro do Amor” e a mais recente “Encosta-te a mim”, que terminou o concerto.
Mas a noite ainda ía a meio quando já passava das 02h00 da manhã. Gabriel o Pensador subiu ao palco e cantou alguns dos temas mais recentes e foi ao fundo do baú buscar os clássicos “Cachimbo da paz”, “Retrato de um playboy” e “O resto do mundo”. O ritmo do rapper contagiou o público até às 04h00, altura em que Gabriel fechou com um “freestyle”.
No final, o brasileiro considerou o espectáculo “muito bom”. E revelou que o seu próximo trabalho sairá ainda este ano, misturando alguns estilos diferentes, “desde o hip-hop à capoeira”. O projecto, garantiu, “está bem adiantado”, mas a sobrecarga de trabalhos e as dúvidas em relação à agenda leva a que não haja, ainda, “um prazo muito certo”.
Gabriel o Pensador, que está numa mini-digressão, deixou ainda em aberto a possibilidade de voltar a Portugal “em Junho ou em Julho”. “Mas ainda não há nada certo”, afiançou. Gata na Saúde cuida dos excessos do Enterro“A noite começou tarde mais vai acabar mais tarde ainda”, adivinhava Dulce Torrão, coordenadora da área de Enfermagem da Gata na Saúde. Finalista de Enfermagem, conta já com três anos de voluntariado na tenda onde os excessos de alcool e outras drogas são recuperados. “Até agora [final do primeiro concerto] já tivemos 11 entradas”, confirmou.
Dulce não considera a localização da tenda da Gata na Saúde a melhor opção. A má sinalização e a inexistência de uma ambulância dos bombeiros visível são os principais pontos negativos. “A organização justificou dizendo que era para as pessoas não virem cá só por vir”, explicou, acrescentando que alguns estudantes vão em busca de medicação e lá não existe. Por outro lado, a coordenação nem sempre é eficaz com os Bombeiros, mas “as equipas são jovens e trabalha-se bem”.
Carla Silva, coordenadora da àrea de Medicina, concorda com a má localização mas ressalva: “Para as pessoas que estão mal, nem sei se o melhor será ficarem assim, mais resguardados.” A aluna do 3º ano de Medicina aconselha, em primeiro lugar, “que as pessoas bebam menos”. “Aqui incentivamos a vomitar”, especificou, adiantando que o regresso a casa é também um aspecto preponderante. “Tentamos encontrar o contacto de alguém sóbrio que os leve a casa, uma vez que os amigos que os trazem às vezes também estão alcoolizados”, sublinhou. 11/05/2008 Olga Pereira Pedro Romano
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