Mind da Gap e Irmãos Verdade animam quarta noite da Gata PDF Imprimir e-mail
O Enterro da Gata já vai no seu quarto dia, mas a gata continua viva e bem disposta. Ontem, as cerimónias ficaram nas mãos dos Mind da Gap e dos Irmãos verdades, seguidos dos dj’s overule e United Soul Brothers.

Image Mind da Gap. Fonte: Minddagap.com 

A actuação dos “da Gap” estava agendada para as 23 horas, no entanto, só teve início por volta da meia-noite e meia, atraso que só serviu para aumentar a ansiedade do público presente, fazendo da entrada do já bem conhecido grupo português um momento marcante da noite. Todos demonstraram conhecer os temas, confirmando de forma explícita a popularidade e a longa experiência do grupo.

Nuno Carneiro, um dos vocalistas e “porta-voz” do grupo, reconheceu no final que a banda é “um bocado bairrista”. E acrescentou: “Tentamos sempre cumprir a nossa missão, que é fazer o melhor possível. E, mais uma vez conseguimos isso, na medida em que conseguimos ocupar as pessoas”. Continuou, afirmando: “Nunca ensaiamos para um concerto. Por isto, aquilo que acontece numa actuação é único, mesmo quando o alinhamento é o mesmo. Isto que aconteceu hoje em Braga, jamais voltará a acontecer”

Nuno Carneiro reconheceu ainda que a banda tem um papel importante no mundo Hip Hop português, mas preferiu “não viver de glórias e vanglórias”. E rematou: “Não estamos preparados para ser os gajos da teoria da conspiração. A luta dos “rapers” em Portugal não é fácil, sinto esta responsabilidade. Mas, achamos que não vale a pena tomar a linha da frente. Portugal ainda não está preparado para ouvir certas coisas”.
 
A vez dos Irmãos Verdades chegou por volta das 2h30 e a banda Angolana confirmou que o kizomba é hoje uma palavra que já entrou na gíria musical portuguesa. Entre os passos de dança e as vozes a seguirem o ritmo que vinha do palco, os expectadores demonstravam uma grande satisfação com a actuação do grupo.

Alexandre Verdades, porta-voz do grupo, demonstrou-se espantado com a convicção dos minhotos, que “não arredaram os pés mesmo debaixo da tão intensa chuva que caia”. Questionado quanto ao sucesso da banda, afirmou que “é satisfatório ver que os portugueses abriram as suas mentes para a música, que têm a vantagem de trazer um pouco de tudo dos PALOP, culminando num ritmo suave e sensual, tratando de temas que são tão comuns como o amor, a esperança e a amizade”. “ Foi a primeira vez que tocamos em Braga, mas a experiência foi muito agradável”, disse ainda.

Os espectáculos fizeram do Gatódromo um sítio propício a alguns excessos, contudo, segundo os dados de uma das responsáveis da “Gata na Saúde”, Luísa Azevedo, aluna do 4º ano do curso de medicina, os números não demonstraram nada de anormal. Foram 33 casos de álcool em excesso e não houve nenhum caso de coma alcoólico, até as 5h00 da manhã, altura em que foi feita a última visita à tenda. Ironicamente, o único caso em que foi preciso requerer os serviços do Hospital de São Marcos passou-se com um dos artistas dos “Irmãos”, que alegadamente deslocou um ombro.  

 

Sanny Fonseca
14/05/2008





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