Ontem, dia 21 de Outubro, o Teatro Sá da Bandeira encontrava-se perto da lotação máxima, com apenas 70 bilhetes por vender. Assistiu-se a uma noite de rock, que os dEUS tão solenemente nos tem vindo a habituar. Já tocaram por terras lusas mais de dez vezes, não sendo de estranhar que o público tenha sido gracejado com uma grande dose de bom humor e alegria por parte de Tom Barman e os músicos.
Tom Barman, vocalista dos dEUS. Foto: Ricardo Almeida
Um concerto intimista e acolhedor. A atitude presenciada no Porto era assumidamente relaxada, fazendo-se sentir uma empatia só costume com bandas locais, em bares de ambiente aconchegado e familiar. Contudo, a actuação nunca foi desprovida de profissionalismo, percebendo-se o afinco com que todos se dedicaram a presentear o público com temas saídos de toda a sua discografia. Afinal de contas, tratam-se de músicos com mais de década e meia de estrada, tendo a força necessária para o provar que a experiência aliada à destreza só pode dar bom resultado.
Os dEUS incendeiam e brincam com o público, tendo já a mestria e consistência necessária para um concerto de nível. Talvez sirva para apagar as memórias tão faladas de um certo concerto no Sudoeste, antes do hiatus em 2000.
A banda dEUS. Foto: Ricardo Almeida
Com uma passagem por novas músicas e pelos clássicos incontornáveis, como “Roses”, “Suds & Soda” e “Instant Street”, à qual o público reagiu instantaneamente ao primeiro acorde, conseguiram dar um grande espectáculo, notando-se reacções efusivas não só nestes temas, mas também em alguns do mais recente “Vantage Point”. Canções como “The Architect” ou “Slow” colocaram a plateia aos saltos, provando que a veia criativa de Tom Barman ainda continua em alta.
A importância de todos os elementos da banda provou-se nas saídas para o poço do Teatro e nas linhas de Alan Gevaert (baixista), nas vocalizações e licks de Mauro Pawlowski (guitarrista), nos fills de Stéphane Misseghers (bateria) e nos toques de violino e teclas de Klaas Janzoons (teclista\violinista). Existe uma musicalidade inerente a estes cinco músicos perfeitamente palpável, resultando no ambiente festivo e de culto que se fez sentir, quase que brindando o público com um “Olá, estamos de volta” subentendido pelo próprio à vontade destes belgas.
A banda Pontos Negros abriu o concerto, conseguindo aquecer substancialmente as hostes. Velejadores de um pop rock moderado, apresentaram o seu primeiro álbum de longa duração, denominado “Magnífico Material Inútil”.
22/10/2008
Maria João Neves
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