Em jeito de opinião PDF Imprimir e-mail
1. Inevitável. Início de ano lectivo, início de polémica(s) em torno da tão mal aclamada praxe. Mais, este ano, com a propaganda negativa encetada pelo próprio governo. Na Universidade do Minho (UM, em diante), tão prosélita em diatribes, esgrimem-se argumentos em prol ou contra a mesma. E extravasam-se limites que há muito deveriam ter sido melhor delineados. Sobre ela (a praxe, entenda-se) não tecerei mais nenhum comentário. Remeta-se para leituras assinadas pelo mesmo de há um, dois, três, cinco e mais anos atrás. A paciência, tal como a bondade, tem limites. E é mentira que a água, coçando desenfreadamente a rocha, a consiga, de facto, furar. Talvez em séculos. Nunca em décadas. Muito menos em anos. Se hoje perguntam se sou a favor, digo que sim. Se perguntam o porquê, não o digo. Já o disse, inúmeras vezes, mas não deixo de corar de vergonha quando vejo o vilipêndio com que, hoje em dia, é tratada. Alvíssaras a quem mantém, salutarmente, uma tradição que não tardará a perecer. Alheamento absoluto perante os obstrutores, cada vez mais em voga. Será o “descanso do guerreiro”, com todo o egocentrismo que a expressão possa carregar consigo. 

2. Numa perspectiva meramente académica, conviria reflectir sobre as palavras de Rui Jorge, actual Papa da academia minhota, acerca do ComUM. Ao compará-lo a um 24 Horas, transforma-o num boletim panfletário. Sabendo que na UM existem alguns pseudo órgãos de comunicação social não isentos de apadrinhamentos e sabendo que o ComUM se rege, ou tenta reger, pela total isenção e independência, faz falta um estudo aprofundado sobre as motivações que levarão a uma afirmação como aquela. Mais pelas opiniões expressas em coluna dedicada a isso, da qual me orgulho fazer parte, do que pelo trabalho noticioso, parece-me. A opinião é livre, assinada e, no ComUM, em jeito completo, fotografada. Mesmo que disparatando avultadamente durante toda uma crónica, o nome está lá, para que possa acarretar com as possíveis consequências. Não se tome, portanto, a parte pelo todo. Nem se tente castrar opiniões. Antes, tente-se brandir argumentos e pontos de vista. Desde que não se recorra, claramente, ao insulto gratuito e, como tal, fácil. Afinal, o Homem é um animal social porque interage entre si. Não tentemos ser lobos a uivar à lua. 

3. Falam-me, em tertúlia de café, das consequências positivas e negativas do tão malfadado Processo de Bolonha. Finda a discussão, resta uma única conclusão colectiva – a revolução que advém do Processo, em si, é salutar, mas a forma como este foi encetado na UM deixa muito a desejar. O óptimo é inimigo do bom e raramente remodelações feitas à pressa dão bom resultado. No início deste ano lectivo, em recepção aos novos alunos, referiu-se uma docente a si própria como sendo a “cara de Bolonha” do seu curso. Sem dúvida que sim. Mas talvez a devesse ter lavado.

 

24/10/08
Rui Afonso





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Anónima  - E ponto. 26-10-2008 19:22:39
Ámen.
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