Viver (n)o Centro PDF Imprimir e-mail
No início de Setembro, um desabamento de um prédio no centro de Braga relançou a discussão na cidade em torno da renovação urbana no centro da cidade. As duas cidades que acolhem os campi da Universidade do Minho têm, nesse campo, diferenças bem vincadas. Mas nem por isso a realidade é muito diferente.

Os números apontam para cerca de uma centena de prédios devolutos no centro da cidade de Braga e à volta de uma dezena em muito mau estado de conservação, entre os quais alguns em situação de ruína. Em Guimarães, a situação é um pouco diferente. A cidade soube, em tempo útil, fazer a renovação urbana. Mas essa dinâmica abrandou e, especialmente pela área contígua à zona classificada como Património Mundial em 2001, facilmente se percebe que há também problemas deste tipo na cidade. 

Em estados diferentes, os centros das duas cidades padecem do mesmo problema: a população escasseia e está envelhecida, deixando um negro futuro à vista. Se Braga não quer ser uma cidade de centro histórico decadente; se Guimarães não se quiser contentar com a musealização do seu núcleo central, só há um caminho: chamar os jovens a viver no Centro. 

O último governo deu uma machada no mercado de arrendamento nacional, já de si deprimido. E com a crise actual é cada vez mais difícil comprar casa no início da vida activa. O arrendamento, que nomeadamente nos centros das cidades teria tudo para ser uma boa solução – como acontece, de resto, nos países mais desenvolvidos – não o é, porque não temos mercado. 

Compete, a meu ver, especialmente às autarquias criarem condições – nomeadamente através de uma redução de impostos municipais – para que os centros das cidades voltem a ser um terreno apetitoso para arrendar casa. O que traria consigo uma repovoação dos centros das cidades e uma dinâmica que impeliria as empresas a investirem na recuperação dos imóveis degradados e abandonados nos centros da cidade. 

E os estudantes universitários podem ser um aspecto muito importante desta solução. Porque procuram casa a preços competitivos, com localizações privilegiadas. E, em muitos casos, é mais interessante viver no centro da cidade, perto dos equipamentos culturais e de lazer, do que propriamente “dentro” do campus. E deste modo, os centros históricos, mais do que lugares velhos ou postais para turistas, podem voltar a ser o centro da vida activa das cidades. 

Post scriptum - É um prazer regressar ao ComUM como cronista. O jornal a que ajudei a dar vida, conquistou o seu espaço próprio, assumindo-se como uma referência do jornalismo universitários português. A forma como os “poderes” da Academia desconfiam do ComUM é a melhor prova de que o jornal está no caminho certo. Felicidades à nova “gerência”.

 

28/10/08
Samuel Silva





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Samuel Silva
Do riso e do esquecimento

Cronista

Estudante
2º ano do 2º ciclo
Ciências da Comunicação
Universidade do Minho

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