UMAR: “Isto não é uma luta das mulheres contra os homens” PDF Imprimir e-mail

Afirmação é de Helena Grangeia, membro da UMAR

A UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, é uma associação feminista de cariz nacional, que surgiu após o 25 de Abril de 1974, da necessidade de tratar as problemáticas das mulheres e de lutar pelos seus direitos no novo contexto político. O núcleo de Braga da UMAR é o mais recente (existe há pouco mais de um ano), e apareceu, numa cidade de cariz religioso, para pôr as pessoas a falar pela primeira vez da igualdade de direitos e desmistificar o conceito de feminismo. O ComUM esteve à conversa com Sara Magalhães, Helena Grangeia e Carla Cerqueira, membros da associação.

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Aspecto da homepage do blogue da associação. Imagem: UMAR

As representantes da associação assumem que não é fácil sensibilizar, porque a sociedade portuguesa tem valores tradicionais e conservadores ainda muito enraizados. Muito frequentemente, associam-se ao feminismo características que ele não tem. Por isso, há uma aposta na sensibilização desde a infância. Ainda há muito terreno para desbravar,  pois as pessoas estão pouco informadas e é preciso persistência, salientam. Helena Grangeia revela que as pessoas pensam que querem tomar o lugar dos homens na sociedade, mas, explica, “isto não é uma luta das mulheres contra os homens”.

As actividades organizadas são de extrema importância para chegar o mais possível junto das pessoas , daí que existam várias acções. Apesar de existir há relativamente pouco tempo, o núcleo de Braga da UMAR já tem um passado de iniciativas bastante significativo. Desde a presença na Feira Pedagógica com um stand, onde vários temas foram debatidos, como os direitos das Lésbicas, Gays e Travestis (LGTV), aborto, comunicação social e mulheres, passando pelo Congresso Feminista 2008, que é um marco - há trinta anos não se fazia um Congresso Feminista.

A UMAR lançou ainda um livro sobre a educação de género nas escolas. O objectivo, em qualquer campanha, é pôr as pessoas a pensar sobre os temas, que no dia-a-dia lhes passam “grosseiramente” ao lado. “É arrojado falar de certos temas como a homoparentalidade ou o aborto porque há uma dificuldade de abertura” das pessoas em relação a estes temas, assegura Grangeia.

Para os próximos tempos, há vários projectos que visam uma constante e crescente sensibilização. Já na próxima quinta-feira, dia 13, inicia-se, às 21h30, o Ciclo de Cinema, no estaleiro cultural Velha-a-Branca, com entrada livre. Após a visualização de um filme sobre um determinado tema, haverá um debate sobre o mesmo com um especialista da área. O primeiro tema é a homoparentalidade, e o filme a ser exibido é “If These Walls Could Talk II”, e o especialista convidado é Jorge Gato

Associação está aberta a novos membros

Dia 27 de Novembro, o debate será sobre o aborto, com o filme “Vera Drake” e os convidados Jorge Salgado e Margarida Vilarinho. O último dia deste Ciclo calha a 11 de Dezembro, e o tema do debate é a arte feminista. Vai contar com a presença de Ana Gabriela Macedo e a visualização do filme “Frida”.

Para além de todas as iniciativas, há um contínuo trabalho de captação de novos membros, quer mulheres quer homens, que são “cruciais em todos os projectos desenvolvidos”, e que são uma mais-valia, pois diferentes conhecimentos são sempre motores de dinamização.

Para mais informações, é possível consultar o blogue da UMAR.

 

08/11/08
Cátia Fernandes

 

Nota: Onde se lê "Lésbicas, Gays e Transexuais (LGTV)", deve ler-se: "Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT)", e onde se lê "há trinta anos não se fazia um Congresso Feminista", deve ler-se "há oitenta anos que não se fazia um Congresso Feminista". Pelos erros as nossas desculpas.





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