“If These Walls Could Talk II” inaugura Ciclo de Cinema Feminista
O Estaleiro Cultural Velha-a-Branca recebeu a UMAR (União de
Mulheres Alternativa e Resposta), organizadora do Ciclo de Cinema Feminista. O
filme “If These Walls Could Talk II”, de 200, inaugurou a iniciativa, na noite
de 13 de Novembro.
Parte do cartaz do filme "If These Walls Could Talk". Foto: imdb.com
Jorge Gato iniciou a discussão sobre o tema da
homoparentalidade, sobre o qual prepara a primeira tese de doutoramento na
área, em Portugal. No
último piso da Velha-a-Branca, cerca de 20 pessoas ouviram o discurso do
especialista acerca dos mitos, evidências, questões e dados estatísticos
relacionados com a temática.
Uma família homoparental define-se como uma
família em que pelo menos um dos membros não é heterossexual. Jorge Gato estuda
a vivência de famílias monoparentais e a sua inserção no contexto social
envolvente. Os principais mitos da realidade baseiam-se, segundo Jorge Gato, na
instabilidade, promiscuidade e irresponsabilidade dos pais.
Esta nova forma de agregado familiar não se encontra
representado nas estatísticas nacionais, pelo que o especialista teve que
demonstrar números relativos à realidade norte-americana. Nos E.U.A, pelo menos
dois milhões de crianças têm pai ou mãe homossexual. O especialista refere que
algumas das preocupações mais comuns entre os filhos de famílias homoparentais
residem na sua identidade sexual, saúde psicológica e relacionamentos sociais.
No decorrer da sua investigação,
Jorge Gato questionou estudantes de cursos de engenharia e de cursos
psicossociais. Concluiu que os últimos têm atitudes mais favoráveis em relação
às temáticas homossexualidade e homoparentalidade, comparativamente aos cursos
de engenharia. Referiu, ainda, que apenas 16% dos alunos de cursos
psicossociais têm, ao longo da licenciatura, contacto com estas temáticas, o
que considerou um valor bastante baixo.
Após algumas intervenções do
público, surge na parede da Velha-a-Branca a primeira cena do filme “If These
Walls Could Talk II”. O filme aborda a história de três gerações de mulheres
apaixonadas. Vanessa Redgrave e Anne Heche retraram o casal da década de 60 junto
há cerca de 50 anos. Michelle Williams e Chloe Sevigny sãoduas jovens que se
apaixonam nos anos 70. e Sharon Stone e Ellen Degeneres encenam o casal que quer
ter um filho, em 2000.
A UMAR pretende sensibilizar para a igualdade de género,
numa cidade considerada tradicional, religiosa e conservadora. Têm como
objectivos o debate, a reflexão e a mudança relativamente à temática.
A primeira edição do Ciclo de Cinema Feminista continua, na
Velha-a-Branca, no dia 27 de Novembro com o filme “Vera Drake”, debatendo o
tema do aborto. Termina no dia 11 de Dezembro, com discussão da temática da
arte feminista, exibindo o filme “Frida”. Segundo a organização, este é o
primeiro de muitos ciclos de cinema.