Diana Andringa enfatiza responsabilidade social dos jornalistas PDF Imprimir e-mail

Jornalista deu conferência a alunos de Ciências da Comunicação

“O compromisso ético de querer mudar as coisas para melhor é para mim muito importante”. Foi com estas palavras que Diana Andringa principiou ontem um discurso orientado para as questões éticas que rodeiam a actividade jornalística. Convidada pelo Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho a dar uma palestra a alunos do curso, a jornalista afirmou que “é preciso tomar uma posição de responsabilidade social” aquando da prática do jornalismo.

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Diana Andringa. Foto: Rui Passos Rocha

Andringa apresentou vários casos concretos de acontecimentos nefastos relacionados com a sua carreira ou do seu conhecimento. No entanto, a ex-subdirectora da RTP2 vincou que “o fascínio do jornalismo está em que é preciso pensar nas consequências do que se faz a cada momento”. Daí a importância de uma introspecção, ainda que “não haja tempo para pensar” no jornalismo, sublinhou.

“Militantes contra os estereótipos”, os jornalistas devem ter, no entender de Andringa, “capacidade para se distanciar”, uma vez que “a sua responsabilidade social é enorme”, lembrou. É isso mesmo, assinalou, que “é fascinante”, pois no jornalismo “não se pode fingir que o que se diz não tem resultados”.

Andringa lembra arrastão de Carcavelos

A necessidade de distanciamento foi ilustrada pela jornalista com o caso do alegado arrastão de Carcavelos, que na altura, por não ter contrato com nenhuma empresa jornalística, pôde investigar atempadamente. Segundo Diana Andringa, o arrastão “é um exemplo típico da velocidade de produção jornalística”.

“Estamos no Guinness dos arrastões. 500 pessoas é fantástico!”, ironizou, recordando que nem no Brasil, onde há maior incidência da prática de arrastões, alguma vez foram tornados públicos valores tão altos. “Passado algum tempo já só eram 40 negros”, prosseguiu Andringa, acrescentando que a partir daí “começou-se a perceber que afinal nunca houve história, de que era uma invenção dos media”.

A jornalista sexagenária falou também das pressões exercidas sobre os media, referindo que é “excessivo dizer que tudo se trata de pressões”, uma vez que “não há jornalismo sem pressões”. Andringa passou a concretizar: “Uma coisa é dizerem-nos que se não fizermos uma coisa seremos despedidos e outra uma fonte dizer-nos que possui documentos que contêm informação relevante para o que estamos a tratar”.

 

25/10/2007
Rui Passos Rocha





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