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A lenda do
Dia Internacional da Mulher, como tendo surgido na sequência de uma
greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica
de fiação ou por costureiras de calçado - que tem sido amplamente
reproduzida - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história
de sacrifício e que vai de encontro à situação de muitas mulheres
naquele período histórico.
Assim, não
há um consenso por parte dos investigadores quanto ao marco histórico
que iniciou as lutas femininas pela igualdade e que esteve na origem
do Dia Internacional da Mulher. No entanto, as posições predominantes
apontam para a luta das operárias por melhores condições de vida.
O Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin, em 1910,
no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Existe, portanto,
uma omissão da verdade histórica que está na génese da efeméride,
mas a partir dessa altura começou a celebrar-se o dia em vários países.
A data de 8
de Março tornou-se predominante e, em 1975, a Organização das Nações
Unidas instituiu a efeméride, que se começou a celebrar em Portugal
desde essa altura, o que se justifica, sobretudo, pela conquista recente
da democracia.
Actualmente,
a lei da maioria dos países visa a igualdade entre homens e mulheres,
mas a prática mostra que continuam a existir muitos preconceitos em
relação aos papéis das mulheres na sociedade. As mentalidades retrógradas
ainda são bem visíveis, constituindo-se como entraves à mudança.
Os avanços verificados são notáveis, mas ainda existe um longo caminho
a percorrer e muitos obstáculos a vencer. Os ganhos parecem quase irrisórios
face às múltiplas violações de direitos que persistem em todo o
mundo.
As mulheres
ainda continuam a sofrer todo o tipo de discriminações. O número
de mulheres em lugares de chefia continua a ser diminuto, apesar de
elas já terem chegado a quase todos os ramos profissionais. Elas são
as últimas a aceder ao mercado de trabalho e as primeiras a sofrer
situações de desemprego, situando-se entre os grupos mais atingidos
pela pobreza. Ainda não existe uma verdadeira partilha das tarefas
familiares. Além disso, continuam a ser alvo dos mais variados tipos
de violência: assassinadas por (ex-)companheiros; espancadas, violadas
e abusadas; vítimas de mutilação genital; vítimas de tráfico humano,
crimes de honra e assédio moral no trabalho; mais vulneráveis ao
VIH/Sida, entre outros aspectos.
Neste âmbito,
com o Dia Internacional da Mulher pretende chamar a atenção para
os papéis e a dignidade das mulheres, de forma a levar a uma tomada
de consciência do valor das pessoas, percebendo a sua importância
na sociedade e contestando os preconceitos que permanecem bem enraizados.
É preciso reflectir sobre os avanços que foram conseguidos, sem esquecer
que há ainda um longo caminho a percorrer.
Para que a
tão almejada mudança se verifique, é necessário que homens e mulheres
se juntem e expressem as convicções de uma igualdade mais justa. São
necessárias vozes que procurem integrar em vez de excluir e que procurem
a convergência em vez da separação.
08/03/09
Carla Cerqueira
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