Universidade e Emprego PDF Imprimir e-mail

Numa altura em que se fala, desenfreadamente, na comunicação social, da falta de emprego dos jovens recém-licenciados (entre os muitos outros milhares que engrossam, diariamente, as filas à porta dos Centros de Emprego) torna-se assaz necessário repensar os modelos de ensino universitários e a relação da universidade com o meio empresarial envolvente.

Nesse sentido, dá-nos boa notícia o Jornal de Negócios, no seu suplemento de 20 de Março, ao apontar a Universidade de Évora como modelo a seguir pelas congéneres portuguesas.

Em traços largos, a Universidade de Évora, tendo em atenção a empregabilidade dos estudantes (factor basilar na avaliação externa do ensino superior e na atribuição de financiamento público aos cursos), estabeleceu parcerias com empresas que vão além daquelas assumidas, já, por muitas universidades. Assim, criou relação directa com as empresas para que, ao longo do seu percurso académico, os estudantes tenham contacto activo com o meio empresarial, experimentando, desde cedo, o que será o seu futuro trabalho na prática, aliado à teoria leccionada. Notícia encorajadora, esta, quando se sabe que, fruto da remodelação decorrente do Processo de Bolonha, muitos dos cursos viram desaparecer os seus estágios integrados que tinham um papel fulcral de adaptação ao mundo do trabalho.

Por outro lado, há uma outra preocupação que me parece, ainda, mais pertinente – cursos que tenham pouca procura, quer pela parte dos estudantes, quer pela parte dos empregadores, deixam de fazer parte da oferta da universidade (no caso que tem vindo a ser referido, desaparecem, já no imediato, Física, Filosofia e Matemática). O contacto com as empresas assume, aqui, um outro papel fulcral. Passam a ser estas a ditar a criação de novos cursos, consoante a necessidade que tenham de quadros específicos.

A ser adoptado por outras universidades do país, este modelo permitirá que cada região possa colmatar falhas em áreas de trabalho específicas e reduzir o excesso de recém licenciados noutras áreas que, já de há muito, rebentam pelas costuras.

Medidas certeiras e eficazes, estas, no combate ao tão badalado desemprego. Assim se saibam imitar os bons exemplos.

 

 22/03/09
Rui Afonso





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Joaquim 25-03-2009 21:30:27
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