Repetir a palavra maldita PDF Imprimir e-mail
O feminismo continua a ser uma palavra maldita. Tenho escrito alguns textos sobre esta temática e a maioria recebe comentários que demonstram precisamente o desconhecimento que ainda persiste.

Continuo a frisar que é preciso desmistificar o conceito e que o feminismo não é, de todo, uma questão de mulheres (loucas, lésbicas, ‘masculinizadas’…).

Desde que me penso conscientemente como feminista que sinto uma resistência social quando se houve a palavra. Qual é, então, a importância do feminismo (pensado sempre numa acepção plural) na actualidade?

A igualdade está consagrada em muitas áreas no que se refere à via jurídica. Muitas são também as pessoas que a praticam e incutem diariamente. Porém, a realidade é que nas práticas e no subconsciente colectivo o machismo e a desigualdade continuam a ser visíveis (embora de forma cada vez mais subtil, pois convém assumir o politicamente correcto).

Há evidentemente muitas evoluções e muitas mudanças no que se refere aos papéis das mulheres na sociedade. Ainda bem que isso consensual. Contudo, há muitos resquícios de uma sociedade marcadamente patriarcal.

Não posso passar esta oportunidade sem fazer referência à Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres e aos dados presentes no seu site. É preciso assegurar uma participação igualitária de homens e mulheres na esfera política. Porquê esta necessidade? Porque no Parlamento Europeu, 75% da representação portuguesa é assegurada por homens. Porque 79% dos deputados eleitos para a Assembleia da República são homens. Porque em 2007, foram eleitos 39 homens e 8 mulheres para a Assembleia Regional da Madeira. Porque na Assembleia Regional dos Açores, apenas 15,8% de deputados eleitos é do sexo feminino. Porque nas autarquias, 6,2% das Presidências são asseguradas por mulheres. E porque apenas 21% das vereações são desempenhadas por mulheres.

Muitos mais dados poderiam ser apresentados, mas estes são suficientes para mostrar que os feminismos não são uma coisa do passado. Não são o contrário de machismo. Não visam criar a ‘epidemia da vítima’. São fulcrais para que se consigam o bem-estar social e por isso devem integrar homens e mulheres. Vou continuar a insistir nesta questão porque sinto que vale a pena mudar mentalidades. Vale a pena lutar por uma sociedade mais justa e inclusiva.

05/05/09
Carla Cerqueira





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Comentários
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Manuel Costa  - re-insistir... 21-05-2009 12:15:21
"O estigma do machismo está em cada urna que não apresenta a alternativa de que as mulheres e homens que votam possam também optar por uma mulher." Mas nós não podemos optar por uma mulher?Eu posso optar por uma mulher, por exemplo, nas próximas europeias. Chama-se Laurinda Alves, do MEP. Mas o ideal, estou a ver, era que todos os candidatos fossem mulheres, para se ultrapassar de vez o estigma...santa paciência...
Elisa Seixas 17-05-2009 17:53:53
"Não gosta, por acaso, que a deixem passar à frente na porta por ser mulher?por ser um sinal de cavalheirismo e até de respeito?
A pergunta que faço é: alguma vez fez questão que um homem passasse à sua frente?Porquê?"

Fazer questão, não fazemos. Mas que na organização social que temos muitos homens passam à frente das mulheres.
Ora, o que é uma reles porta, se nos passam à frente em quase tudo o resto - e não necessariamente por mérito?

"já desde há muito tempo que o voto é livre e as candidaturas são livres"
35 anos não é assim tanto tempo e tendo em conta que a organização dos partidos continua a reger-se pelos princípios patriarcais...

" Fazendo as contas, há mais mulheres votantes que homens. Ora, não me vai dizer que o estigma do machismo está em cada urna, em cada secção de voto"
O estigma do machismo está em cada urna que não apresenta a alternativa de que as mulheres e homens que votam possam também optar por uma mulher.

"Santa paciência..."
É o que temos tido, mas sinceramente, já estamos saturadas de comentários como este.
Manuel Costa  - Insistir... 15-05-2009 03:37:32
Qual é o objectivo disto tudo?Igualdade?Equidade na distribuição de emprego?
"Porém, a realidade é que nas práticas e no subconsciente colectivo o machismo e a desigualdade continuam a ser visíveis (embora de forma cada vez mais subtil, pois convém assumir o politicamente correcto)." Isto é teoria da conspiração ou da perseguição?
Há dúvidas que há pessoas que não percebem a igualdade?Porquê falar na mulher e não no homem?
Não gosta, por acaso, que a deixem passar à frente na porta por ser mulher?por ser um sinal de cavalheirismo e até de respeito?
A pergunta que faço é: alguma vez fez questão que um homem passasse à sua frente?Porquê?
A questão é simples: se há concursos para empregos e uma mulher não é seleccionada por ser mulher, mesmo tendo mais capacidade, fale-se de fraude ou favorecimento. Se uma mulher sofre de violência doméstica, fale-se de crime.
Em relação aos cargos políticos (que me parece ser um tema que lhe interessa muito...), já desde há muito tempo que o voto é livre e as candidaturas são livres. Fazendo as contas, há mais mulheres votantes que homens. Ora, não me vai dizer que o estigma do machismo está em cada urna, em cada secção de voto...Santa paciência...
Existem pessoas, seres humanos. Se é homem, se é mulher?Que interessa? A lei foi feita para os dois. Lutemos pelas leis, então.
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