A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que condena a exposição de crucifixos nas escolas públicas, foi contestada pela Associação Famílias de Braga. O presidente da associação, Carlos Aguiar, em declarações ao Jornal de Notícias, afirma que há uma perseguição ao cristianismo, às suas recordações e a tudo o que o representa.

Imagens como esta podem não voltar a repetir-se. Foto: JN
“Esquecem-se que, se lhe retirarem o cristianismo, a Europa fica sem nada”, criticou o responsável, em resposta à sentença do tribunal. O veredicto sustenta que a existência de crucifixos nas escolas “contraria o direito dos pais de educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças e a liberdade religiosa aos alunos”.
De acordo com Carlos Aguiar, para que haja coerência no veredicto, seria necessário “demolir ou retirar os símbolos do cristianismo, existentes em todas as cidades europeias”. O presidente da Associação Famílias de Braga dá o exemplo de museus “que os europeus visitam e cuja arte, a maioria das vezes roubada à Igreja, reflecte a história do cristianismo”.
A decisão unânime do tribunal foi despoletada pela queixa de uma cidadã italiana, que solicitou a retirada dos crucifixos da escola que os seus filhos frequentavam.
Associação Ateísta Portuguesa concorda com decisãoA Associação Ateísta Portuguesa afirma estar de acordo com a decisão do tribunal. Em comunicado, difundido pela agência Lusa, a associação afirma que “reduzir o espaço de confronto religioso entre os fundamentalistas de várias religiões é contribuir para a paz e a liberdade, dois valores fundamentais da democracia”. Os ateístas defendem ainda um governo vigilante, que esteja atento a “abusos que ainda persistem, por incúria, nas escolas e nos hospitais públicos”.
A Associação República e Laicidade partilha a mesma opinião, tendo pedido hoje ao Ministério da Educação que mande uma comunicação às escolas públicas. O objectivo é remover todos os símbolos religiosos das salas de aula, como os crucifixos.
Outro apelo feito, desta vez pelo próprio presidente da associação República e Laicidade, é que o Ministério de Educação impeça a realização de cerimónias religiosas durante o ano lectivo.
De acordo com a Lusa, o governo italiano decidiu recorrer do veredicto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, por achar que vai contra a tradição. O Vaticano ficou surpreendido e triste com a decisão do tribunal, afirmando, à Lusa, que o crucifixo é um símbolo de “união e oferecimento do amor de Deus”.
04/11/09
Filipa Gomes
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