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1. O programa Ídolos já
esteve mais na ribalta do que nos tempos que correm, no entanto, ainda
possui a sua quota-parte de atenção mediática. Milhares de pessoas
correram para as filas dos locais de acolhimento, desejosas de impressionarem
o júri do pré-casting (sim, existe uma selecção prévia), de forma
a poderem aparecer na televisão.
Depois faz-se a captação de talentos.
Uns têm, outros nem tanto. Ainda há o grupo dos que foram aldrabados
pela mãezinha, falta-lhes bom senso, sofrem de distúrbios mentais,
todos os anteriores mais tempo de sobra nas mãos.
Por muito interessante que o programa
seja, por mais que os finalistas se exponham às luzes da ribalta, um
dos factores continua a ser descurado. Que espaço existirá para
esta gente no mercado musical português?
Na verdade, o exercício é simples.
O leitor tente lembrar-se de um vencedor que tenha tido sucesso como
artista a solo. Caso não tenha acompanhado as temporadas anteriores,
há um nome que não passa despercebido, pertencendo à concorrente
a que mais se assemelhou a um ídolo: Luciana Abreu. Sim, ela não foi
vencedora do concurso e, apesar dos seus 1001 clubes de fãs, a sua
carreira como cantora a solo é uma miragem, pouco mais sendo que uma
sombra da personagem que representou. Cruza-se com o mediatismo, quase
exclusivamente, em capas de revistas sociais, devido a boatos sobre a sua vida privada. Apesar de tudo, foi uma das cantoras
que mais vendeu em Portugal, como indica a sua página da Wikipédia,
com ares de ter sido escrita pelo seu agente.
Por muito exigentes que sejam, tanto
o júri como o público, estão sempre reféns dos produtores, que querem
uma estrela pop. Ora, Portugal não tem o mercado dos EUA, nem coisa
que se pareça. Basta dar uma olhadela no TOP+ para perceber que não
há muito potencial de encaixe, para esta gente, entre os grandes do
nosso país.
Os hábitos estão enraizados nos consumidores e os lugares
reservados aos músicos feitos à medida (D’ZRTs e companhia) pelas produtoras que não estão dispostas a abdicar
da sua mina de ouro. Julgo que o facto de alguns antigos finalistas
do programa se terem voltado a candidatar é prova suficiente do que
digo. Meninos e meninas, se querem ter uma "bandinha" comecem já a trabalhar.
Não é com concursos que lá vão.
2. O alvoroço provocado pelo
novo romance de José Saramago tem preenchido páginas de jornal e causado
sensação pelos quatro cantos da nação. A hierarquia católica anda
indignadíssima, e os comentadores da praxe dividem-se entre hossanas
e vitupérios, todos eles bastante excitados com a polémica.
Façam-me o favor de ler o livro
e depois digam se justifica a histeria. Começo a pensar se muita gente
não falará só para não estar calada.
PS: O livro nem é bom nem
mau, ficando na classificação intermédia de “castiço”.
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