Luís Tarroso: "É uma viagem multimédia pelos 2000 anos de história. Depois de fazer este curso olha-se para a cidade de outra forma."
A história da cidade de Braga é ensinada num curso promovido pela Velha-a-Branca. O Museu D. Diogo de Sousa recebe alunos e professores todos os sábados desde o dia 28 deste mês. Luís Tarroso, do estaleiro cultural bracarense, falou com o ComUM sobre a actividade.
O estaleiro cultural Velha-a-Branca está envolvido em muitos outros workshops. Considera que este é um bom projecto para se investir?
A formação é uma ferramenta essencial para que haja mais públicos na cultura. Um dos objectivos da Velha é desenvolver o gosto e as capacidades artísticas do público em geral. A Velha cumpre esse desafio ao organizar cursos e workshops que vão da fotografia digital à escrita criativa e da história da cidade à história do jazz.
Em que contexto surgiu a ideia para este curso?
Este curso nasceu em 2003 no âmbito de um grupo informal de discussão da cidade de Braga denominado ProjectoBragaTempo (www.projectobragatempo.org). A ideia era – e é – a de proporcionar a todos os interessados uma viagem pelos 2000 anos de história da cidade que infelizmente não era (e ainda não é) possível fazer de outra forma. Apesar de há muito prometida, não existe ainda uma História da Cidade de Braga em livro.
A organização tinha conhecimento prévio do interesse das pessoas pela história da cidade de braga?
Há sempre gente interessada na história da cidade por razões muito diversas: conhecer o passado, saber fazer uma visita guiada a cidade a amigos, perceber a organização da cidade, descobrir o que é verdade e mentira nas noções vagas que todos têm da história da cidade. A grande dificuldade é encontrar essas pessoas uma vez que muitas delas não são as pessoas que habitualmente frequentam a Velha, desde logo porque muitas delas são mais velhas. Não quer dizer que a Velha se dirija apenas aos mais jovens, mas a forma como comunica (e-mail, site, facebook, twitter) acaba por chegar em primeiro lugar às gerações jovens.
Considera importante que os cidadãos conheçam a história da cidade onde vivem?
A maioria das pessoas tem uma ideia dos últimos 1000 anos da cidade uma vez que é a cidade que ainda se vê ou que aparece nas fotografias e desenhos antigos. Mas é importante não esquecer que antes destes 1000 anos, houve outros 1000 e que este período mais desconhecido correspondeu provavelmente à época em que a cidade teve um papel importante no noroeste peninsular e em alguns casos até a nível ibérico e europeu. Poucas cidades em Portugal podem orgulhar-se de uma história tão variada e tão longa.
Qual foi a adesão do público? Podia comunicar o número de inscritos neste momento?
Pelas razões que acima indiquei, a adesão é lenta. As inscrições ultrapassaram as 65. Daí o recurso ao Auditório do Museu D. Diogo de Sousa onde decorrem as sessões. Recentemente a Velha comprometeu-se a reservar lugares nas suas iniciativas para pessoas alojadas em IPSS. Como contrapartida a Velha apenas pede que as instituições seleccionem pessoas interessadas em participar em determinada iniciativa. Este curso foi a primeira experiência e depois de contactadas algumas IPSS da cidade, oferecemos inscrições a cinco jovens.
Existe alguma figura pública inscrita?
Está inscrito o vice-reitor José Vieira Castro. Infelizmente, parece que não se inscreveram quaisquer autarcas.
Estima-se um aumento de frequentes à medida que o curso se for desenrolando?
O curso é muito acessível – 40€ por 12 sessões – e por isso é sempre possível haver novas inscrições. Para quem pretender assistir apenas a uma sessão, pode simplesmente aparecer ao sábado de manhã (10h) no Museu D. Diogo de Sousa e pagar a entrada nessa sessão que são apenas sete euros.
Como se apela aos mais jovens para participarem nestes eventos?
Este curso não é aborrecido. Não é um conjunto de conferências teóricas sobre a cidade mas sim uma viagem multimédia pelos 2000 anos de história. Depois de fazer este curso olha-se para a cidade de outra forma.
Fale-nos um pouco dos formadores.
Os formadores são todos especialistas em períodos de história da cidade e a muitos deles são historiadores ou arqueólogos. As excepções são Miguel Bandeira, geógrafo e Eduardo Pires de Oliveira, investigador e autor de inúmeros livros sobre história da cidade.
Quais os focos principais abordados destes 2000 anos da história bracarense?
O programa está disponível em http://www.velha-a-branca.net/CUR01329.htm.
Este é um projecto cultural de grande escala que figura Braga no tempo e no espaço. Sente-se satisfeito pela Velha-a-Branca ser palco de analepses e reminiscências desta cidade?
A Velha é um projecto assumidamente bracarense (embora muitos dos seus voluntários sejam de fora do concelho). Ao trazer a história da cidade para a “rua” ou pelo menos para fora do meio académico, a Velha cumpre um dos seus objectivos. É importante conhecer o passado para se construir o futuro.
30/11/2009
Tânia Azevedo e Maria Furtado
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