Propinas em discussão no debate da AAUM PDF Imprimir e-mail

Luis Rodrigues, durante o debate para a direcção da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), promovido pela RUM, considerou que a abolição das propinas com o actual estrangulamento financeiro vivido pela Universidade do Minho é uma "proposta irresponsável". Bárbara Seco retorquiu dizendo que "o ensino já foi gratuito" e que pode tornar-se novamente. Por seu lado, Eduardo Velosa optou por defender a diminuição das propinas como uma "ponte" para a gratuitidade do ensino. De acordo com o aluno de Engenharia Biológica, a sua abolição é algo que, no cenário actual, não é possível concretizar.

debateaaum2009_filipagomes.jpgBárbara Seco (lista C), Eduardo Velosa (lista B) e Luís Rodrigues (lista A) são os candidatos à presidência da AAUM.

Os três candidatos para a direcção da Associação Académica da Universidade do Minho apresentaram-se quinta-feira no auditório do Instituto de Estudos da Criança com vista a debater as suas propostas e a apelar ao voto. As propinas foram alvo de diferentes opiniões. O candidato da Lista  A afirmou que a proposta para abolir as propinas é utópica, acusando a Lista C de querer angariar votos. Neste sentido, Bárbara Seco advertiu que o ideal de "ensino gratuito nunca foi promessa", mas sim uma forma de consciencializar a comunidade académica. 

Durante a discussão surgiu o assunto da manifestação dos estudantes em Lisboa, levada a cabo no dia 17 de Novembro. Os representantes da Lista B e C teceram duras críticas à actual associação académica, acusando-a de não divulgar o suficiente esta actividade, à qual aderiram apenas cerca de 30 alunos minhotos. Perante isto, Luis Rodrigues respondeu que a AAUM trabalhou no sentido de mobilizar a nível nacional, levando aproximadamente 5000 estudantes às ruas de Lisboa, ao que Bárbara Seco disse ter havido várias associações que conseguiram incitar estudantes para a manifestação dentro das suas próprias academias.

Quanto à relação entre a AAUM com a reitoria, Bárbara Seco e Luis Rodrigues foram consensuais, declarando a sua descrença em possíveis pressões. Todavia, Eduardo Velosa não escondeu o seu desagrado em relação ao antigo reitor, criticando que a democracia que tanto se defende na UM não se vê. A título de exemplo o candidato da lista B afirmou que a comunicação social foi proibida de entrar na academia na altura de uma conferência de imprensa dada pelo movimento de Agrupamento de Intervenção e Resposta sobre as contas na universidade.  

A questão de melhores condições nas residências também foi levantada. Unânimes, os candidatos afirmaram ser uma área sensível na qual se devem concentrar esforços.

Com os ânimos mais agitados, o debate encaminhou-se para as ligações políticas. O mestrando em Ciências da Comunicação revelou que a sua lista "é blindada à instrumentalização política e desprovida de partidarismos", espicaçando os outros candidatos a explicarem as suas ligações a nível político. "Nunca escondi a minha formação política", declarou a aluna do primeiro ano de Ciências da Comunicação. A candidata desafiou ainda Luis Rodrigues a explicitar a inclinção política da sua lista, pela "conivência que a lista A tem com algumas políticas do governo". Eduardo Velosa manteve-se mais calmo, mas não poupou palavras para apontar a ligação que diz existir entre a lista A e o governo.

Luis Rodrigues acredita que as entidades externas que fazem parte do Conselho Geral, orgão máximo da academia, constituem uma oportunidade de aproximação ao "tecido empresarial". Para o candidato, as empresas não têm como função gerir apenas a academia, auxiliando também na criação de melhores condições de ensino. Por seu lado, Bárbara Seco relembrou que a passagem da academia a fundação é uma questão para a qual o Elo sempre advertiu, acrescentando que "há uma clara desresponsabilização do governo" quanto ao financiamento e privatização da universidade. A repetente na candidatura afirma ainda que se sente "uma pressão muito grande por parte do governo" quanto à passagem da UM a fundanção privada. Quanto à existência de entidades externas no Conselho Geral da academia minhota, Bárbara crê que "há uma tentativa clara" de gerir a universidade como uma empresa.

A construção de uma nova sede da Associação Académica da Universidade do Minho mais perto da academia foi também discutida. Luís Rodrigues disse que estão angariados 600 mil euros para a criação da nova sede, que poderá funcionar como "biblioteca e salas de estudo abertas 24 horas por dia". O candidato quer acreditar que a sede avançará já este ano. Eduardo Velosa considerou que a nova sede é importante por estar mais próxima dos estudantes, ao passo que Bárbara Seco disse que é algo que "pode ser potencialmente bom", por representar uma "aproximação dos estudantes à associação académica".

  05/12/09
Filipa Gomes





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