A altura não podia ser mais conveniente: perto
do Natal, todos os anos se realizam as eleições para os variados membros da
Associação Académica da Universidade do Minho. Mas as semelhanças com a
solidariedade e dádivas afeitas à época ficam por aí, porque se há coisa que os
estudantes minhotos se recusam a dar, são os votos.
Desde sempre, é este o problema crónico com
que se debatem os candidatos. Não que isso os deixe muito mais que ligeiramente
inquietos. Quem ganha, normalmente fá-lo com grande vantagem, e quem perde,
pouco mais pode fazer que lamentar que a mensagem não tenha chegado.
Aí é que reside o grande problema: a chegada
da mensagem. Os tradicionais panfletos, cartazes, tudo espalhado pelo campus,
dá uma sensação de desnorte e nem sempre clareia as mentes de quem quer votar:
ao invés, confunde-as. E os tradicionais pedidos de voto aos amigos, “vota lá
na minha lista pá”, poderiam ser substituídos por um esclarecimento mais cabal
sobre o que a lista realmente representa e defende.
Por vezes dá um pouco a sensação de que quem
está nas listas não sabe o que quer fazer, apenas deseja ganhar. “Não sei o que vou
fazer, mas votem” seria a translineação de um pensamento comum a quem está nas
listas pelo protagonismo… e falo de membros, não de líderes, naturalmente.
Esses terão noções mais claras sobre o que quererão fazer.
No meu entender, o que falha é comunicar essas
ideias para quem com eles trabalha, e falha também a ponte para o eleitorado,
cronicamente alheio a estas questões. Se ninguém se mostrar disponível a
explicar-lhes, e se a única estratégia for de conseguir o voto pelo voto, sem o
esclarecimento de quem vota, o cenário não se transformará. A abstenção será de
novo assinalável.
Acabo de ler que se realizou um debate com os
três candidatos. Ignoro se muita gente se sentiu tentada a ver esclarecidas as
posições dos que auguram liderar a direcção da associação, mas é uma iniciativa
assinalável. Se fosse sucedida por outras do género, até no campus, para
esclarecer os alunos, eles teriam mais interesse.
Quanto ao acto eleitoral em si, a lista A
deverá vencer, mais uma vez. Resta saber como serão as prestações dos
repetentes Eduardo Velosa e Bárbara Seco, e como estará a abstenção. No ano
passado, ficou nos 85%. Vamos a apostas para o valor deste ano?