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Fulano entra numa pastelaria. Dirigindo-se
ao balcão, entabula conversa com o funcionário:
-Boa tarde. Têm croissants?
- Hum… Sim, temos uns coisos.
- Ah? Têm croissants ou não?
- Temos assim uns bolos.
- Mas são croissants?
- São assim mais ou menos… Sim,
temos croissants.
- Então quero um misto e uma meia de
leite.
- Meia de leite… Certo. Pode
pagar já? Funcionamos com pré-pagamento.
- Não há problema.
- Levo já à mesa.
O funcionário chega, passados 10 minutos,
com um bolo disforme e um café.
- Desculpe mas não foi isto que pedi.
- Não pediu um croissant?
- Sim, mas isto parece um bolo mal parido.
- Mas é um croissant.
- E o café?
- Repare que uma meia de leite leva
café. Tomei a liberdade de trazer só metade, visto que o leite
está em falta.
- Que caraças. E este bolo tem manteiga?
Eu pedi com queijo e fiambre e traz-me… margarina?!
- Eram umas sobras que tinha ali do
estrugido que fiz ao almoço.
- Mas o senhor está doido? Eu
quero o meu dinheiro de volta!
- Não posso devolver.
- Mas então porquê?
- Porque você não tem fome. Você
quer é um curso.
- Perdão?
- Isto é uma alegoria. Você está
numa instituição de ensino superior, não numa pastelaria. O seu bolo
mal amanhado representa aquelas cadeiras que você não precisa para
nada. Contudo, são muito úteis para os professores que andam cá a
dar água sem caneco e precisam de ter o horário completo. O seu café-projecto-de-meia-de-leite
foi o curso que levou uma machadada devido a Bolonha. Vai para casa
só meio doutor ou lá o que é. Escusado será dizer que o pré-pagamento
é o seu dinheiro e dos contribuintes que entra nos nossos bolsos só
porque anda cá.
- Mas isto é indecente!
- Ei! Cuidado com a língua! Acha que
tirar um curso universitário é como ir à pastelaria comer
um bolo?
- Claro que não. Na pastelaria dão-me
o que peço.
Fulano fulo sai da pastelaria e bate
com a porta.
Cai o pano.
21/12/09
Hugo Monteiro
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