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Começou a escrever poesia por iniciativa própria quando tinha 13 anos e desde então nunca mais parou. Com ela tem conquistado inúmeros prémios a nível nacional, dois dos quais lhe valeram a edição de dois livros. Chama-se Sara Costa e frequenta o 3º ano do curso de Línguas e Culturas Orientais, na Universidade do Minho (UM), porque a animação japonesa que via em criança a fez apaixonar-se pelo Extremo Oriente. São duas áreas de interesse distintas, mas que têm em comum a possibilidade de darem a ver o mundo de uma outra perspectiva.
 Sara Costa. Foto: Carla Lameira Quando começou a escrever, Sara Costa era ainda muito nova e como tal a tarefa não foi nada fácil. Valeram-lhe as influências de “alguns autores contemporâneos de uma onda simbolista e surrealista, sobretudo aqueles que me foram apresentados por um amigo, também ele escritor”, conta Sara. A partir desse momento ficou “viciada” em Al Berto, poeta que marcou bastante a sua escrita, e identificou-se com os franceses Rimbaud, Baudelaire e Mallarmé. Entre os portugueses dá preferência a Herberto Hélder, Nuno Júdice e Daniel Faria. Em todos eles encontrou uma forma e um estilo de expressão nos quais se revê. Mas a inspiração, essa encontra-a se em coisas mais triviais. “O facto de existir, o nosso dia-a-dia é por si só uma fonte de inspiração”, explica. Sara encara a sua poesia como “uma descodificação e uma personalização do real”, uma forma de tornar objectivo aquilo que visualiza, daí que não exista uma temática dominante nos dois livros que tem publicados: “A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos” (2004) e “Uma Devastação Inteligente” (2006). Neste último “não há um tema, há determinadas nuances que percorrem o livro, mas que sinceramente não foram intencionais e são mais percepcionadas pelo leitor”, esclarece. “Há uma certa desorganização na vida cultural” em Portugal Apesar de ser ainda muito jovem, a sua lista de prémios literários é já bastante extensa. Entre primeiros lugares, menções honrosas, prémios revelação, participações em revistas e em colectâneas internacioanis de poesia, soma cerca de duas dezenas de prémios. O sucesso e reconhecimento devem-se essencialmente à sua insistência já que desde cedo que a eles concorre. Acha-os importantes para orientar o escritor e dar-lhe uma prova da sua qualidade, mas vê-os como “coisas que apenas confirmam que algumas pessoas leram” o seu trabalho e gostaram dele porque “em Portugal, ganhar prémios literários não tem repercursão absolutamente nenhuma”, afirma a escritora. Na sua opinião não há quem procure editar as obras. “Parece haver apenas um grupo de amigos [de editores] que vão editando as suas obras. O que valorizam afinal? Isso faz-me confusão, porque tento entrar no mercado de consumo através dos meus valores artísticos e da minha capacidade artística. Acho que há uma certa desorganização na vida cultural”, lamenta Sara. Aqueles que consideram que a poesia está fora de moda são, para a jovem escritora, aqueles que não a conhecem ou que nunca se esforçaram por isso, que nunca tiveram vontade de explorá-la. E faz uma comparação com a sétima arte, mostrando que da mesma forma que o cinema se vai tornando mais contemporâneo e artístico, também a poesia segue esse caminho da experimentação. “Há boa poesia capaz de cativar muita gente, mas nunca é explorada”, conclui. “Centralizamo-nos completamente naquilo que é ocidental” O fascínio pelo Extremo Oriente, sobretudo pelo Japão, e o interesse em conhecer outras formas de estar no mundo fizeram-na optar por estudar Línguas e Culturas Orientais, nomeadamente a chinesa e a japonesa, na UM. No próximo ano lectivo, Sara vai aprofundar os seus conhecimentos linguísticos na Universidade de Tienjin, na China, onde espera permanecer por um período de dois anos. “Nesse aspecto sou um bocado aventureira”, confessa. Em parceria com o seu professor de Japonês, Sara coordena o BUNGAKU, um Clube de Literatura Japonesa fundado pelo docente e pelos alunos do curso. “Decidimos que era interessante fundar o BUNGAKU porque estamos numa realidade muito etnocêntrica. Centralizamo-nos completamente naquilo que é ocidental, naquilo que é europeu. Parece que só houve Literatura na Europa e em mais lado nenhum”, critica a estudante. “Temos que descentralizar isso, pois não faz sentido que assim seja.”
No futuro, Sara Costa pretende continuar a escrever. Apesar de agora não o fazer com a mesma regularidade que antes, pois os estudos ocupam-lhe grande parte do tempo, não acha que isso seja negativo: “Assim tenho tempo para respirar entre uma obra e outra e se calhar saem coisas diferentes”, o que não acontecia quando escrevia com mais frequência, porque “se houvesse uma força dominante, em termos temáticos era tudo sempre igual.” Agora o seu objectivo é escrever um romance e espera reunir material suficiente para o fazer com a experiência que vai viver na China. Quanto à poesia, a jovem não pretende deixá-la para trás e pondera mesmo a possibilidade de fazê-la em chinês. “Ainda não sei o suficiente, mas quando dominar [a língua] é uma hipótese.” 09/11/2007 Carla Lameira
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