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Perdida entre botões estilizados, tecidos coloridos e bordados tradicionais, o ComUM encontrou Marta Mendes, relações públicas do Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho (UM). A artista de artesanato urbano que “anda sempre com a máquina às costas” inaugurou na semana passada a primeira exposição de fotografia – Vermelho-escarlate, e terminou ontem mais uma feira onde o público pode adquirir os seus trabalhos manuais.

Pormenor de uma das pregadeiras de Marta Mendes com recurso a uma imagem de um postal antigo. Foto: Marta Mendes.Para a feira de artesanato deste fim de semana, que aconteceu em Gaia, Marta levou uma novidade para quem visitou o seu espaço. Aliás, “em todas as feiras”, garante, tenta “levar sempre algo diferente”, para além das peças únicas às quais os seus clientes já se habituaram - pregadeiras, colares e gatos. Desta vez, depois de se ter perdido por uma colecção de postais antigos do início do século XX, numa feira de antiguidades, decidiu transformá-los em capas de cadernos. Plastificou-os, “para preservar assim o que estava escrito na parte de trás”. Os postais que conseguiu recortar usou em pregadeiras, a peça que mais vende tanto em feiras como através da Internet. O seu sítio no Flickr tem bastante procura. “As pessoas já estão habituadas a ir ao blogue, e lá têm a ligação à "loja virtual”, explica Marta. O blogue Poeiras, Trapos e Farrapos nasceu praticamente na mesma altura em que começou a fazer este tipo de artesanato, “há três ou quatro anos.” No entanto, Marta já foi “uma absoluta negação em trabalhos manuais na escola”, assegura. Confessa que o facto de ter tantos materiais em casa, provenientes de uma família cheia de costureiras, fez com que os quisesse reutilizar. A artesã conta apenas com a "ajuda lá de casa para encher os gatos”, que são o artigo que mais demora a fazer. Para tudo o resto, apenas as suas mãos. Já não se recorda da primeira vez em que participou numa feira de artesanato. Contudo, desde que começou a fazer as suas peças tem percorrido várias feiras sobretudo na zona Norte, até porque "ir mais longe não compensa." Ultimamente estes espaços funcionam por convite direccionado aos artesãos que apresentam propostas diversificadas. Isto acontece porque os organizadores querem ter mais variedade para apresentar ao público. Artesanato urbano: uma forma actual de criar“No inicio, quando comecei, já havia pessoas a fazer [este tipo de artesanato], mas depois houve um boom”, relembra Marta Mendes. Sobre o chamado artesanato urbano, Marta nem sabe se gosta do nome ou não, mas acredita ser uma designação atribuida para “distinguir da noção tradicional que se tem do artesanato, como algo associado às origens, ao passado.” O artesanato urbano recupera alguns bordados e características das coisas antigas, mas no fundo o público não é o mesmo. “É um público mais jovem, não necessariamente, mais maioritariamente”, conclui. 
"Todas as peças são únicas." Foto: Marta MendesO desenvolvimento deste novo artesanato serve-se de blogs para movimentar uma comunidade de artistas que assim podem estar mais perto uns dos outros. “Já estamos habituados a todos os dias ir espreitar o que há de novo ali”, conta. Um dos aspectos negativos que aponta à divulgação das suas peças neste espaço virtual é a facilidade com que outros as podem copiar. “Tento não me chatear muito com isso até porque ninguém inventa nada”, mas já teve problemas, não com as suas criações artesanais, mas com fotografias. “Alguém usava as minhas fotografias e aí chateei-me”, refere, mas o problema foi resolvido. Por isso, no médio prazo, Marta quer ter uma marca registada: “Já estou a tratar disso.” De que cor? Vermelho-escarlate.As fotografias que surgem no Poeiras são fruto de associações que estabelece entre os seus trabalhos e a natureza, ou servem de inspiração para as criações. Este ímpeto fotográfico acompanha-a diariamente. O gosto pela imagem fotográfica já lhe tinha dado vontade de fazer uma exposição, “mas era daquelas coisas a longo prazo.” Quando recebeu o convite da Maria vai com as outras, loja portuense que já tem expostas algumas das suas peças, achou “óptimo” e por isso aceitou expor algumas fotografias. Nesta altura deparou-se com um problema: “escolher as fotos.” “Como eu passo a vida a fotografar, ando sempre com a máquina atrás de mim, tenho muita coisa, muitas fotos ainda não organizadas”, explica Marta. Então escolheu-as sem pensar em nada, até que reparou que todas tinham vermelho em algum ponto. “Parecia que a estória daquelas fotografias era contada pela cor”, e o título surgiu: Vermelho-escarlate. A exposição foi inaugurada no dia três de Novembro e pode ser visitada até ao mesmo dia do próximo mês. 
Cartaz da exposição Vermelho-escarlate. Marta admite que gostava de fazer um curso no Instituto Português de Fotografia no Porto, já que não tem qualquer formação em fotografia. “A única noção que eu tenho só mesmo as coisas que aprendi em Audiovisuais.” Esta era uma das disciplinas do antigo curso de Comunicação Social (CS) da UM, que Marta terminou em 2002. Marta ‘Poeiras’ nunca imaginou trabalhar em Relações Públicas. Destaca esta àrea como a que, no curso de CS, “menos [lhe] interessava.” Gostava sobretudo de Jornalismo, e por isso estagiou no Jornal de Notícias, no Porto. No entanto, não é do jornalismo que aqui praticava que tem saudades, mas sim do trabalho como jornalista no UMjornal. Este era um jornal que existia na UM e que entretanto fechou, por divergências com a reitoria. “Agora estou no Centro de Investigação em Psicologia”, explica a relações públicas. 11/11/2007 Olga Pereira
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