Filipe Alves
 

Notas soltas sobre a falácia do politicamente correcto

I. Nas últimas semanas, ouvi várias pessoas criticarem os protestos contra a realização dos Jogos Olímpicos na China. Muitas boas almas dizem que "os Jogos não têm nada a ver com política", ou que "o boicote aos Jogos não ajuda os tibetanos". À primeira vista, parece lógico acreditar que as Olimpíadas devem estar separadas da política. Mas nada mais enganador, caro leitor, pois é a própria China que reveste os Jogos de substância política. Uma vez que, tal como a Alemanha nazi em 1936, o regime de Pequim serve-se dos Jogos para fins políticos. Fazer de conta que o Mal não existe, em nome de uma espécie de sacralização dos Jogos (que, ironicamente, tem mais a ver com a tradição olímpica da Antiguidade do que com o espírito olímpico de Pierre de Coubertin), é um erro terrível e um paradoxo cruel. Pois em nome da separação entre desporto e política, permite-se exactamente o oposto: que ditaduras brutais como a que oprime a China e o Tibete se sirvam dos Jogos para alimentar as suas fantasias de grandeur. A propósito, refira-se que os Jogos da Antiguidade, nos quais competiam, lado a lado, democratas atenienses com oligarcas espartanos, realizavam-se sempre no mesmo sítio…

A ilusão do ateísmo radical

Neste ano que agora finda, o biólogo britânico Richard Dawkins celebrizou-se com o best seller 'The God Delusion'. Como o título indica, trata-se de um livro que pretende demonstrar que a existência de Deus é uma ilusão. Além disso, procura provar que a religião é nociva, por alegadamente incitar ao ódio e à intolerância.

A verdadeira tradição académica

«O academismo é sinónimo do contrário. É estudo, enciclopedismo, técnica, trabalho, pensamento, perspectiva e avanço. Se não é desse meio que surgem as novas ideias, os movimentos genuínos, onde são soltas as bases criativas para a sociedade, onde se pensa a inovação e se experimenta e pratica, onde será?» - Hugo Torres   Esta frase da última crónica do Hugo Torres, o polémico cronista que tem agitado as águas da nossa Academia, prendeu-me imediatamente a atenção. Concorde-se ou não com o que o Hugo escreveu sobre os grupos culturais e artísticos da nossa universidade - e confesso que, no meu caso, a discordância terá mais a ver com a forma do que com o conteúdo -, a verdade é que esta frase será, provavelmente, uma das melhores definições do que deve ser a verdadeira cultura e tradição académicas.

O servilismo bacoco de José Sócrates

A cidade de Lisboa prepara-se para receber, em breve, a tão esperada Cimeira Europa-África. Tudo indica que será mais um daqueles momentos do género da Expo 98 ou do Euro 2004, nos quais a auto-estima dos portugueses atinge, momentaneamente, os píncaros. As televisões vão desfazer-se, ufanas, em panegíricos à presidência portuguesa da União, que conseguiu este ‘grande feito’ que ‘parecia impossível’. E pelo ar espalhar-se-á uma sensação de paz e amor, como se as nossas consciências ficassem, de súbito, aliviadas do velho fardo do homem branco.

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Filipe Alves
Ala Liberal

Cronista

Jornalista
Comunicação Social
Universidade do Minho

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