Uma análise profunda da nossa realidade, usando puramente o sistema sensorial humano, leva-nos facilmente a perceber o incalculável número de estímulos de diversas naturezas. No entanto, apenas uma pequena fracção é regularmente monitorizada, com o objectivo de retirar informação para ser usada na optimização do comportamento: “…corpos em bruto são recortados no estofo da natureza por uma percepção, cujos recortes seguem, de algum modo, o traçado das linhas em que a acção poderia decorrer.”, Henri Bergson.
Num processo de canonização, o número de curas inexplicáveis associadas ao potencial santo é uma variável que pode determinar grandemente o sucesso do desfecho deste. Por outro lado, num contexto científico, o efeito curativo de substâncias farmacologicamente inertes, designadas por placebo, tem sugerido que outros mecanismos, além do mediado pelo princípio activo do medicamento real, poderão estar associados aos fenómenos de cura.
As sociedades humanas sempre tiveram uma tendência justificada por diversas razões (e.g., religiosa e política) para se organizarem hierarquicamente. Os membros dessas estruturas sociais caracterizam-se por terem distintos níveis de qualidade de vida, que podem estar associados a um acesso desigual aos recursos, nomeadamente alimentares, saúde e educação.
A cooperação é vital para atingir outros níveis superiores de organização. Temos os exemplos dos genomas, células, organismos multicelulares, sociedades de insectos, e sociedades humanas. Cooperação significa que um indivíduo irá, por exemplo, direccionar uma parte da sua energia - que poderia ser usada egoisticamente - em benefício dos outros. Como Darwin também o percebeu, a cooperação pode colidir com a necessidade de competição exigida pelos processos de selecção natural. Será que os mecanismos de cooperação podem ser favorecidos pela selecção natural?
Analisando numa perspectiva evolucionista o Reino Animal, pode depreender-se que a partir de certo grau de complexidade do sistema nervoso, os indivíduos interagem em certa medida com o meio, motivados pelo prazer que daí possa advir. Consideremos por exemplo os motivos que podem incentivar um animal a caçar, actividade muitas vezes frustrante e arriscada: Certos desequilíbrios, tais como um baixo nível de glicose no sangue ou uma osmolaridade alta, conduzem a um estado de fome ou sede. Um elevado grau motivacional está normalmente associado a estes estados, uma vez que são capazes de desencadear comportamentos com o objectivo de procurar e consumir alimento e bebida. O estado de prazer pode emergir durante o período de busca, como uma antecipação de um desfecho produtivo, e aumentar quando o alimento é de facto conseguido. O prazer associado a um alimento pode resultar da activação dos receptores gustativos presentes na língua tanto por moléculas com valor nutricional (e.g., glicose) como por outras sem valor (e.g., sacarina). Outra forma de prazer mais relacionado com a função elementar dos alimentos é a sensação de saciedade que advém, por exemplo, do reequilíbrio da concentração de glicose e aminoácidos no plasma e no cérebro. Isto explicaria porquê os animais tendem a evitar alimentos com falta de certos nutrientes, tais como aminoácidos essenciais.