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Faz hoje precisamente 6 anos que assisti à primeira aula do curso de Medicina da Universidade do Minho, proferida pelo Professor Pinto Machado. Foi um dia de grande solenidade e festa que contou com a participação do então primeiro-ministro António Guterres e de três ministros, o que atesta bem a relevância do momento. Longe das luzes do mediatismo, o curso de Medicina foi trilhando um percurso de exigência, rigor e qualidade que o colocaram na posição mais alta da procura por parte dos estudantes que ingressam no Ensino Superior.
O projecto de ensino-aprendizagem fez-se modelo para repetidas remodelações nos cursos clássicos de Medicina. Bolonha, enquanto filosofia educativa, viveu-se nos corredores da Universidade do Minho ainda antes de ser normativamente implementada em toda a União Europeia. A par do projecto pedagógico, a Escola de Ciências da Saúde conseguiu desenvolver um cluster de muito sucesso na área da investigação científica, constituindo-se como uma das instituições de referência no panorama nacional, classificada internacionalmente como Excelente. A etapa que hoje se inicia com a inauguração do novo edifício da Escola de Ciências da Saúde conduzirá, inevitavelmente, à afirmação internacional do curso pela sua inovação, qualidade e exigência e ao desenvolvimento de um centro de excelência mundial no que respeita à investigação em ciências da saúde. O novo edifício, que chega com um atraso de 4 anos devido ao incumprimento dos compromissos dos sucessivos governos, é indispensável ao crescimento do curso e das estruturas que o suportam, representando um potencial de desenvolvimento estratégico da universidade que será necessariamente muito valorizado. Tal como não foi a falta de médicos que levou ao encerramento das Maternidades e dos SAP’s, torna-se óbvio que também não será a existência de licenciados em Medicina no desemprego que os há-de repor.
O exemplo do Minho não pode ser ignorado num momento em que a aposta na qualidade da formação médica está a ser secundada pelos sucessivos Governos. O elogio do ensino centrado no estudante e do contacto precoce com a clínica não pode conviver com a obsessão ministerial do aumento da oferta formativa em Medicina. É tempo dos governantes começarem a pensar estrategicamente o país, em vez de se deterem na política dos números mal explanados e das propostas eleitoralmente mais convenientes.
Está claro que não é fácil explicar às populações, amputadas de tantos serviços básicos de saúde, que não existe falta de médicos e que entupir o sistema com licenciados em faculdades sobrelotadas não resolve os seus problemas. Aliás, tal como não foi a falta de médicos que levou ao encerramento das Maternidades e dos SAP’s, torna-se óbvio que também não será a existência de licenciados em Medicina no desemprego que os há-de repor.
Seja como for, a Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho nunca se demitirá daquela que é a sua principal missão: formar “médicos peritos em ciência, arte e consciência”. 07/10/2007 Pedro Morgado
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