O assobio de David Fonseca fez com que o público de Braga não deixasse cadeiras vazias no Theatro Circo. As quase 2h30 de concerto de ontem, 16 de Fevereiro, trouxeram, além do esperado, a sonoridade dos anos oitenta, com direito a bola de espelhos e tudo. A primeira meia hora foi da responsabilidade de Rita Readshoes, que o acompanha nesta digressão.

Rita e os sapatos vermelhos no Theatro Circo. Foto: Olga Pereira Então, primeiro sapatos vermelhos. Aliás, laço no pescoço. David Fonseca trata de apresentar a menina que o acompanha ao piano na digressão Dreams in colour. Então sim, Rita Redshoes, a solo. Sozinha mas acompanhada por três músicos. Das músicas do álbum “Golden Era”, quase pronto a sair, seis saíram tímidas do palco em direcção ao público. O refrão de "Dream on girl" teve direito a coro colectivo, já que poucos se sentiram inibidos em cantar. “És linda!”, fez questão de gritar um fã antes de "Hey Tom", tornando inigmática a atribuição do adjectivo. Referia-se à música ou à menina de franja e sapatos mágicos? E quando Rita se foi embora, e um intervalo se tornou iminente, surge de imediato, no centro da sala, David Fonseca e a sua guitarra embrulhados num foco de luz. A proximidade com o público, ainda que no curto-prazo se tenha dirigido para o longínquo palco, é sempre constante. Aliás, à saída do espectáculo comentava-se que se David não fosse cantor, faria stand-up comedy. Porém, o músico, caso não o fosse, gostaria era de ser agente secreto, confidenciou. 
David Fonseca no centro do Theatro Circo. Foto: Olga PereiraJá no palco, depois de se certificar que ‘os corações batiam em uníssono’, David resolve iluminar-se com uma lanterna e recuperar a lendária “Song to the Siren”, de Tim Buckey, tornada popular pela banda britânica This Mortal Coil. Prosseguindo com o reavivar da memória, David Fonseca não se esqueceu de “Someone that cannot love”, do primeiro álbum. Muito menos do ponto de partida para "Dreams in Colour", "Superstars" e o assobio, ou de "Rocket Man "e Elton John. Entre as músicas do último álbum e de “Our hearts will beat as one”, David destaca a música sobre a solidão, “Hold Still” cantada com a Rita do piano e sapatos ainda vermelhos. Enquanto seguiam as canções, eram projectadas, na tela atrás dos músicos, imagens, em directo, de cada elemento em pequenos rectângulos. Mas voltando à música, o momento disco sound foi o que mais fez mexer a plateia. Bola de espelhos salta do tecto, óculos de sol com armação vermelha à anos 80 prontos, e “Video Killed de Radio Star”. Voz distorcida num telefone antigo para a música ficar completa e muitos “howa howa”, tal como faziam os The Buggles. Tudo para o público se levantar quando entoasse “I should have met you in the 80’s”. Depois da última canção, “Adeus, não afastes os teus olhos dos meus”, o esperado encore, a avaliar pela ovação, trouxe David Fonseca completamente só. Como não sabia o que havia de tocar alguém do público sugeriu ‘Celin Dion’. O pedido foi de imediato acedido, e uns acordes da música do Titanic fizeram a sala estremecer de gargalhada. Mas rapidamente a recordação de “Eu não sei dizer”, dos Silence 4, trouxe alguns suspiros à plateia. Depois, a brincadeira continuou com "Billie Jean" de Michael Jackson e "I’m on fire", de Bruce Springsteen. Antes de terminar, a banda voltou a palco para ensinar “How do you keep love alive”, de Ryan Adams e trazer a Angel Song dos Silence 4. A versão de “All day and all of the night” voltou a agitar o Theatro Circo. E embora o concerto não fosse durar para sempre, ainda houve tempo para deixar o público levar para casa o seu assobio. 17/02/2008 Olga Pereira
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