O Minho sobre carris enferrujados PDF Imprimir e-mail

No início de Janeiro, um movimento de utentes da linha de caminho-de-ferro de Braga deu voz à exigência de uma ligação mais rápida entre a cidade e o Porto. Os bracarenses querem ligações de 40 minutos nas horas de maior tráfego, capazes de responder às exigências daqueles que usam a linha dos seus movimentos pendulares diários.

E têm razão. É inconcebível que duas cidades que distam entre si pouco mais do que 50 quilómetros estejam “separadas” por um percurso ferroviário que leva uma hora e vinte minutos. É praticamente o mesmo tempo que se fazia em linha estreita, com as velhas composições a diesel.

Só o facto de a viagem de comboio ser mais económica, mais cómoda e mais amiga do ambiente joga a favor da opção ferroviária. As críticas dos bracarenses já deram origem a um blog e a uma petição online, bem como a uma comissão de clientes.

Braga não é, no entanto, a única cidade afectada pela inépcia da CP na sua missão de serviço público. A ligação à cidade traz todos os dias muitos passageiros de Famalicão a Braga e o número de alunos de freguesias atravessadas pela ligação que usam diariamente o comboio para chegar à Universidade do Minho só não é maior precisamente pelo facto de a linha não responder de todo às suas necessidades de mobilidade.

Outro caso gritante do mau serviço que a CP presta à região é o da linha de Guimarães, com ligações igualmente lentas, pensadas antes para servirem as cidades-satélite do Porto. Além disso esta é a única linha suburbana sem nenhum serviço expresso, ao que se junta uma inadmissível ausência de ligações no final da tarde: entre as 19h15 e as 22h15 é impossível viajar até Guimarães de comboio.

Se a isto juntarmos o panorama da restante linha do Minho percebemos como a região tem mais do que suficientes razões de queixa da CP. A ligação até Valença está votada ao abandono, perfeitamente inoperante no que à estratégica ligação internacional à Galiza diz respeito. E Barcelos paga mais para chegar ao Porto do que qualquer outra cidade do chamado “quadrilátero”.

E é por isso que defendo que as linhas do Minho deviam ser geridas por uma empresa própria. O que não é uma solução tão inovadora que possa oferecer dúvidas na altura da decisão.

A linha da Póvoa de Varzim foi desafectada da CP e passou para a égide da Metro do Porto há poucos anos. O mesmo vai acontecer com a linha da Lousã, inserida no Metro de Coimbra. E é isso que o Minho deve exigir, especialmente quando, a médio prazo, a linha-férrea entre Guimarães e Braga for uma realidade. E, evitando o erro de a tornar uma linha de “metro” como na Póvoa e na Lousã, possa ser uma alternativa competitiva na ligação entre uma região que tem assumido um compromisso sinérgico.

Só assim o Minho pode escapar à asfixia da CP, uma empresa pública que mata, ano após ano, o serviço público de transportes nos caminhos-de-ferro. No fundo é uma metáfora do próprio país: demasiado centrado nas áreas metropolitanas, limitando-se a cumprir serviços mínimos e a servir de “bazar de serviços” dos favores do Estado. Pelo que não se estranhe que aloje “boys” como Ricardo Bexiga, líder do PS de Gondomar, conhecido do público por ter sido agredido supostamente por elementos dos Super Dragões, e recentemente empossado para o Conselho de Gerência da empresa.

 

19/02/2008
Samuel Silva





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Comentários
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Daniel Nogueira  - Ramal 21-02-2008 21:32:02
" É inconcebível que duas cidades que distam entre si pouco mais do que 50 quilómetros estejam “separadas†por um percurso ferroviário que leva uma hora e vinte minutos. É praticamente o mesmo tempo que se fazia em linha estreita, com as velhas composições a diesel."

Atenção às gralhas, a via éra ÚNICA e não ESTREITA, sendo agora Via Dupla e (de Bitola) Larga. ;)

Não me parece boa ideia a privatização... Não acredito nas FERTAGUS do nosso país...

Acho é que a CP Porto não consegue milagres com as 3dezenas de "comboios amarelos", pese embora o facto de na última alteração de horários, terem alargado de tal forma as marchas que agora há sitios como o Leandro, onde se fica parado mais de UM MINUTO a fazer tabela.... e sim, é obvia a falta de comboios como o das 12h15 no porto, a levar 3/4hora a chegar a Braga...

Nota histórica: em 1973 um TRANVIA demorava 1h55 a chegar a Braga... estamos melhor agora, não? (exemplo de pensamento positivo-irónico... ;p)

Não tenho aqui horários do imediatamente ANTES da modernização Lousado-Nine-Braga mas sei de cabeça que uma UDD450 levava apróx. 1hora a deixar-me em Famalicão... A Braga seria um pouco mais...

DN
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Samuel Silva
Do riso e do esquecimento

Cronista

Estudante
2º ano do 2º ciclo
Ciências da Comunicação
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