A Vagabond Opera pintou o Theatro Circo com o negro da tragédia e o vermelho da boémia. Uma combinação vinda de Portland, nos Estados Unidos, que na passada quinta-feira fez o público bracarense viajar entre a América e a velha Europa.
Os elementos da banda em palco. Foto: Salomé Peixoto
No palco assistimos à constante fusão entre estilos que vão desde o jazz à ópera, passando pelo tango, cabaret e o serpentear da dança do ventre, num registo bem-humorado onde há tempo para mostrarem que a banda sonora da Pantera Cor-de-Rosa ou “Toxic”, de Britney Spears, também podem fazer parte do reportório.
Eric Stern, ora no acordeão ora ao piano, sobressai com voz de tenor, abandonando mais que uma vez o microfone, na companhia da soprano Leslie Kernochan, capaz de deixar o público sem fôlego com os seus agudos. Robin Jackson acompanha Leslie ao saxofone e também na voz. No baixo está Janson Flores e, com o violoncelo, Skip Von Kuske que emociona a assistência. Falta Mark Burdon na percussão e na tradução, pois é filho de mãe brasileira, mas uma tradução traiçoeira que arranca gargalhadas.
A cumplicidade entre os elementos desta ópera vagabunda transparece por entre o brilho das lantejoulas. Do reportório ouve-se “Camille’s Last Jump” em ritmo lento, “Chaplin Nonesense Song” com direito a sapateado, passando por “Istambul”, para ir até “Milord” de Edith Piaf. Na segunda parte Eric Stern vai além da música, o público ganha voz e fala-se de Bush, Obama e do conteúdo da garrafa que Stern tem aos pés. Na despedida Leslie canta para Eric, que sobe aos camarotes, surpreendendo a audiência que aplaude de entusiasmo.
No meio da azáfama após a actuação, Janson Flores explica como conseguem misturar tantas influências: “Somos de Portland, onde há uma grande variedade cultural. Fazemos o que queremos, somos um bando de lunáticos”. E Mark Burdon reforça: “Gostamos da música do mundo inteiro, não temos regras, se gostamos tocamos”. Questionado acerca das expectativas em relação à audiência, o percussionista responde que “na América não dão tanto valor aos músicos”. “Não é que achemos que merecíamos mais, mas aqui tratam-nos melhor”, conclui.
À saída nota-se que a assistência que encheu o Theatro Circo é tão variada quanto a música da Vagabond Opera. Maria Helena Sousa comenta que “na primeira parte foram repetitivos”, por isso gostou mais da segunda, porque “foram mais divertidos”. Já Pedro Matos confessa que não contava com este espectáculo, mas “foi uma surpresa agradável”, enquanto que Andreia Cruz revela que decidiu ver o espectáculo “pela imagem do cartaz, pelo mix cabaret/ópera”. 01/03/2008 Salomé Peixoto
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