II Encontro de bloggers do Ensino Superior reúne uma dezena de professores na UM Têm em comum o facto de serem professores e reflectirem o ensino superior a partir da blogosfera. Mas serão os blogues um espaço de debate livre e eficaz? Foi a esta e outras perguntas que dez professores universitários se propuseram responder no segundo encontro de bloggers de instituições de ensino superior, que teve lugar no dia 10 de Março, no Auditório 2.28 da Escola de Economia e Gestão (EEG) da Universidade do Minho (UM), em Braga.
 Associado a este encontro, decorreu também no mesmo dia uma tertúlia aberta a toda a comunidade: Foto: Carlos Daniel Rego Para o docente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e autor do blogue Higher Education – Univercity, ainda “é muito perigoso expressar a opinião na blogosfera” devido ”ao ambiente persecutório” que se vive actualmente, afirmou o docente. “Eu já vivi essa experiência”, confessou. Também a professora do Instituto Politécnico de Setúbal e responsável pela plataforma Conversamos!?, Lucília Nunes, partilha da mesma opinião. “Sinto que hoje existe mais monitorização no ensino superior” e que, por isso, uma das “soluções” pode passar pelos blogues. “A blogosfera é o último espaço de liberdade”. Todavia, e apesar das facilidades em criar e manter um blogue, ainda são poucos os professores que utilizam esta ferramenta. “Os nossos colegas não se interessam”, comentou Regina Nabais, do blogue Polikê?. A falta de tempo foi a principal razão apontada para explicar tal fenómeno, problema que parece não afectar o docente da Universidade de Aveiro, Alexandre Sousa: “Tenho meia-dúzia de blogues e mantenho-os todos vivos”. ironizou o autor do Co- Labor. Ao desinteresse do corpo docente, junta-se também o desprendimento dos leitores, que na sua maioria ou são outros professores universitários ou gente ligada ao mundo académico. “A esfera do ensino superior é minoritária. Com a excepção do De Rerum Natura (blogue associado do jornal Público), só há interesse nos blogues quando alguém desata a insultar alguém importante”, exemplificou Alexandre Sousa. Os portugueses ainda “olham para as pessoas do ensino superior como extraterrestres”. Universidade Alternativa é um dos exemplos minhotos Também na academia minhota existem professores que utilizam a Internet, nomeadamente os blogues, para discutir o ensino superior, em geral, e a Universidade do Minho, em particular. São exemplo disso o anfitrião desta iniciativa e professor da EEG, José Cadima Ribeiro, que mantém o blogue Universidade Alternativa, e ainda os docentes Jaime Rocha (Pralém D’Azurém) e Joaquim Sá (Liberdade na UMinho), que também marcaram presença neste encontro. Segundo José Cadima Ribeiro, o aparecimento do Universidade Alternativa surgiu, em primeiro lugar, com o objectivo de “acabar com um instrumento de censura que havia dentro da Universidade do Minho – a UMNet)”. Como “cada vez mais vez menos me reconheço nestas paredes, o meu blogue é reflexo disso”. “Há gente que encontra ali a liberdade para se expressar e que, de outra maneira, não teria visibilidade”, concluiu Cadima Ribeiro, a propósito dos comentários anónimos que aparecem frequentemente no seu blogue. 15/03/08 Carlos Daniel Rego
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