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Orgulho e preconceito: considerações sobre o jornalismo |
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O debate que na passada semana teve lugar em Guimarães, por ocasião do 32º aniversário do Gabinete de Imprensa, sobre os dois anos da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) foi o ponto de partida para um série de reflexões que me aventurei a fazer sobre o estado do jornalismo em Portugal. Faço-as não apenas como parte da classe, mas também por uma questão de cidadania. Porque, como diz Alfredo Maia no mesmo debate, “todos os dias bulimos com os direitos dos cidadãos”. E daí advém uma responsabilidade que temos que levar em conta quando exercemos a profissão.
O presidente da ERC, Azeredo Lopes, afirmou que existe, entre a classe jornalística em Portugal, um “síndrome de Bela Adormecida”, que torna a auto-regulação praticamente impossível. “Não há classe que mais proclame o seu amor à auto-regulação e que seja mais incapaz de a respeitar”, enfatizou. E dava o exemplo do desrespeito pelo mecanismo do direito de resposta para enfatizar aquilo que considera ser uma classe orgulhosa e avessa à crítica.
Basta, por exemplo, estarmos atentos às colunas dos provedores dos leitores ou espectadores nos órgãos de comunicação social em Portugal para percebermos como a classe entende mal uma crítica ou uma correcção. E esse é, no meu entender, um dos exemplos de como os profissionais do jornalismo pouco ou nada entendem acerca do seu papel social e da responsabilidade que isso acarreta.
Daí a necessidade de um instrumento regulador como é a ERC. Não nos podemos esquecer que a comunicação social é um instrumento privilegiado de contacto entre o poder político e a população que os elege e legitima. E este é, a meu ver, o papel essencial da comunicação social, aquilo que legitima o seu poder, que, não emanando de nenhuma instituição do Estado, existe, de facto, nos media, tradicionais ou novos.
Numa conferência que deu na Universidade do Minho, há uns meses, Diana Andringa explicava que “o fascínio do jornalismo está em que é preciso pensar nas consequências do que se faz a cada momento”. Só que essa é uma condição que se tem perdido. E não apenas por responsabilidade dos jornalistas.
Como Andringa também sublinha, as condições de produção do jornalismo têm vindo a degradar-se. Há uma maior velocidade de produção e, sobretudo, os vínculos laborais têm vindo a degradar-se, o que torna os jornalistas mais expostos aos erros e pressões.
E é aqui que entra a equação das considerações que o debate do Gabinete de Imprensa alimentou, uma realidade que, afectando-me agora directamente, já me preocupava antes. Especialmente como leitor de jornais e estudante de Comunicação.
Hoje em dia poucos são os jornalistas que entram nos quadros das empresas de comunicação social. O vínculo aos jornais, rádios e televisões, é, no mais das vezes, o “recibo verde”, com todas as consequências que a questão acarreta: não há fins-de-semana, férias, descontos para a Segurança Social, assistência de saúde. E, acima de tudo, não há a certeza de que, em caso de erro – ou, por absurdo, de “pisarmos” algum interesse – o caminho da rua não seja o apontado pelo patrão.
O enfraquecimento das condições laborais acompanhado por uma degradação das condições de produção, afiguram-se, neste contexto, como um problema que, mais do que preocupar a classe jornalística, devia mobilizar toda a sociedade civil. A discussão impõe-se no sentido em que um jornalista precário está mais exposto às pressões – normais – na sua profissão, mas perante as quais está cada vez mais desapoiado, quando confrontado com a volatilidade da sua condição profissional. É menos livre no exercício dos seus direitos e deveres. 31/03/2008 Samuel Silva
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O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) enviou esta semana uma carta ao Ministério do Ensino Superior onde alerta para as dificuldades financeiras vividas pelas universidades nacionais. A situação, dizem os reitores, é “insustentável”, mas em causa pode estar o pagamento de salários de professores e funcionários.
O caso dos alunos ciganos para
os quais foi criada uma turma especial numa escola de Barcelos revela
um problema que a sociedade portuguesa tem recusado assumir: há 500
anos que os ciganos vivem no país e não sabemos nada sobre eles.
1 – Há uma semana, o CAB
organizou um debate sobre a rivalidade
Guimarães-Braga,
no qual tive o prazer de participar. Desse encontro saiu uma ideia forte
de que a relação entre as duas cidades deve ser, cada vez mais, de
cooperação. A Universidade do Minho é,
de resto, o melhor exemplo de que Guimarães e Braga valem mais juntas
do que por si só. Há 30 anos esta era uma instituição de poucos
milhares de estudantes, a dar os primeiros passos no ensino e com muitas
incertezas no caminho.
A “moda” política em Portugal
tem-nos habituado, nos últimos anos, a citar os países nórdicos como
exemplo do que se pretende para o nosso país. Mas os bons exemplos
estão bem mais perto. Do outro lado da fronteira há um país. Com
um governo paritário, casamento homossexual e um espaço político bem
delimitado.
Depois de, há um ano, termos
assistido a uma manifestação vergonhosa do que não deve ser a democracia,
a Academia do Minho tem hipóteses de se regenerar. Após uma eleição
com 85 por cento de abstenção e em que a única lista candidata foi
ratificada por apenas 1400 estudantes, os estudantes da Universidade
do Minho têm desta feita alternativas para escolherem o rumo da AAUM.
A decisão da Universidade
do Minho de encerrar a maioria dos serviços durante as duas semanas
de habitual paragem natalícia é mais simbólica do que eficiente.
Mas, no actual quadro de crise do Ensino Superior, é uma pedrada no
charco a que não estamos habituados na UM.
No início de Setembro, um
desabamento de um prédio no centro de Braga relançou a discussão
na cidade em torno da renovação urbana no centro da cidade. As duas
cidades que acolhem os campi da Universidade do Minho têm, nesse
campo, diferenças bem vincadas. Mas nem por isso a realidade é muito
diferente.
O Vitória de Guimarães assegurou anteontem o apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, a mais importante competição de clubes de futebol do Mundo. Foi o corolário de uma época brilhante a todos os níveis, não apenas no futebol, como nas diversas modalidades desportivas de Guimarães. E a verdade é que, este ano, a futura Capital Europeia da Cultura, é a Capital Nacional do Desporto. Não é propriamente uma novidade – desde há pelo menos três anos que a possibilidade é aventada –, mas o Enterro da Gata vai mesmo mudar de lugar. Há anos que a Quinta dos Peões, mesmo em frente ao campus de Gualtar da UM, era o lugar de excelência para os festejos académicos, mas a contestação dos moradores e da autarquia já se fazia ouvir há bastante tempo. Por isso, não espanta que o "Enterro" deste ano mude de sítio. O debate que na passada semana teve lugar em Guimarães, por ocasião do 32º aniversário do Gabinete de Imprensa, sobre os dois anos da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) foi o ponto de partida para um série de reflexões que me aventurei a fazer sobre o estado do jornalismo em Portugal. Faço-as não apenas como parte da classe, mas também por uma questão de cidadania. Porque, como diz Alfredo Maia no mesmo debate, “todos os dias bulimos com os direitos dos cidadãos”. E daí advém uma responsabilidade que temos que levar em conta quando exercemos a profissão. Criticar o processo de adaptação do Ensino Superior nacional às directrizes de Bolonha tornou-se recorrente. E não se trata de dizer mal por perverso prazer. A verdade é que há muito se tornou perceptível que a Reforma – anunciada como a (necessária) Revolução do Sistema de Ensino – foi uma oportunidade perdida. 1 – O semanário Sexta publicava, na semana passada, um interessante trabalho (curiosamente assinado pelos fundadores deste projecto on-line) sobre a ausência da cidade do Porto do circuito de eventos culturais em Portugal. No início de Janeiro, um movimento de utentes da linha de caminho-de-ferro de Braga deu voz à exigência de uma ligação mais rápida entre a cidade e o Porto. Os bracarenses querem ligações de 40 minutos nas horas de maior tráfego, capazes de responder às exigências daqueles que usam a linha dos seus movimentos pendulares diários. A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) foi às urnas há precisamente uma semana. Ou melhor: as eleições estavam marcadas para esse dia porque, na prática, a Academia não votou.
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Samuel Silva Do riso e do esquecimento
Cronista
Estudante 2º ano do 2º ciclo Ciências da Comunicação Universidade do Minho
Blogue
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