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Fusão de freguesias: maior que a soma das partes.

A troika exigiu e Miguel Relvas sujeitou-se à vaia pelos presidentes de junta reunidos em assembleia geral da Associação Nacional De Freguesias. Não querem a extinção de 1800 das quase 4000 freguesias que retalham o país em pequenas paróquias e feudos pessoais.

É certo que a freguesia é a célula-base do poder democrático, que a dívida do país não assenta em parcas contas de merceeiro e que o estandarte da junta serve como esteio na sobrevivência de pequenas comunidades com importância histórica e na coesão do país.

No entanto,o actual modelo é obtuso para freguesias urbanas da grande maioria das cidades portuguesas em que estas subunidades não representam uma marca identitária forte, e onde muitos dos seus serviços são assegurados pela câmara municipal ou por outras entidades governamentais. Aí a lógica de fusão torna-se natural, sem premissa de qualquer austeridade

Olhando o mapa estilhaçado de autarquias no Minho, os motivos de agregação saltam ainda mais à vista, decalcado que foi de velhas paróquias desenhadas entre o teimoso casario disperso. Qualquer lugarejo com abade próprio, tem a sua junta e no adro da igreja o único elemento que deu calibre político à comunidade.

Aqui também se impõe uma agregação pacífica, tendo em conta que o processo, não poupando tostão que seja às transferências de verbas da administração central, permite aumentar os recursos financeiros das juntas, num resultado bem maior que soma das partes. Em conjunto com a atribuição de competências das câmaras municipais, pode-se atrair, com o devido respeito, gente bem mais qualificada. Isto é ainda mais importante em muitas das vilas e cidades cujo núcleo urbano e estrutura socieconómica influencia várias freguesias, e que não sendo sede de concelho, necessitam de meios e poder para dinamizar as suas comunidades.

Ou isto, ou então que se eliminem todas as freguesias, e se criem mais municípios, já que a regionalização é o parto político que se segue. Mas isso é lenha para outra fogueira.

Última vez modificada em terça, 06 dezembro 2011 17:16
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Vítor Pimenta

Nascido a 7 de Fevereiro de 1983, em Cabeceiras de Basto. Mestre em Medicina pela Universidade do Minho desde Agosto de 2010 e actualmente Médico interno do Ano Comum nos Hospitais da Universidade de Coimbra. 

 


Fez parte do Conselho de Escola da Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian (2003-2004). Coordenador dos departamentos Científico-Cultural e Saúde Reprodutiva e SIDA do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (2007). Membro da Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe (2001-2009). Autor do Blog "O Mal Maior", desde Outubro de 2005 e co-autor do Blog "Avenida Central", de setembro de 2007 a dezembro de 2009. Cronista (2010- 2011), colaborador (2009- ) e director-adjunto (2011- ) do mensário regional Jornal O Basto.

Website: malmaior.blogspot.com/
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