É certo que a freguesia é a célula-base do poder democrático, que a dívida do país não assenta em parcas contas de merceeiro e que o estandarte da junta serve como esteio na sobrevivência de pequenas comunidades com importância histórica e na coesão do país.
No entanto,o actual modelo é obtuso para freguesias urbanas da grande maioria das cidades portuguesas em que estas subunidades não representam uma marca identitária forte, e onde muitos dos seus serviços são assegurados pela câmara municipal ou por outras entidades governamentais. Aí a lógica de fusão torna-se natural, sem premissa de qualquer austeridade
Olhando o mapa estilhaçado de autarquias no Minho, os motivos de agregação saltam ainda mais à vista, decalcado que foi de velhas paróquias desenhadas entre o teimoso casario disperso. Qualquer lugarejo com abade próprio, tem a sua junta e no adro da igreja o único elemento que deu calibre político à comunidade.
Aqui também se impõe uma agregação pacífica, tendo em conta que o processo, não poupando tostão que seja às transferências de verbas da administração central, permite aumentar os recursos financeiros das juntas, num resultado bem maior que soma das partes. Em conjunto com a atribuição de competências das câmaras municipais, pode-se atrair, com o devido respeito, gente bem mais qualificada. Isto é ainda mais importante em muitas das vilas e cidades cujo núcleo urbano e estrutura socieconómica influencia várias freguesias, e que não sendo sede de concelho, necessitam de meios e poder para dinamizar as suas comunidades.
Ou isto, ou então que se eliminem todas as freguesias, e se criem mais municípios, já que a regionalização é o parto político que se segue. Mas isso é lenha para outra fogueira.