Enquanto centenas de alunos se preparavam para iniciar o cortejo académico, o reitor, António Cunha, abandonava a tribuna por alegadamente não ter gostado que Pedro Silva, papa da academia (entidade máxima da praxe minhota), entrasse no Museu Nogueira da Silva. Segundo o papa, isso apenas aconteceu para cumprir com a tradição de entregar o primeiro frango, assado no carro alegórico do Cabido de Cardeais, às entidades que assistiam ao cortejo.
Pedro Silva justificou que este é um ritual da comissão de praxe durante o cortejo, que fez questão de cumprir também este ano. "Há cerca de 15 anos que há a tradição de o primeiro frango assado pelo Cabido de Cardeais ser entregue ao reitor. Ele costumava receber em mãos, este ano foi deixado na mesa."
Em declarações ao ComUM, o reitor admitiu que se ausentou do cortejo devido à presença de elementos que não faziam parte do acordo com a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). "Durante a presença do reitor no Museu Nogueira da Silva apenas deveriam permanecer nas instalações do museu estudantes que integram órgãos estatutários da UMinho, órgãos sociais da AAUM ou dirigentes de outras estruturas estudantis reconhecidas pela universidade, para além de convidados e jornalistas. A não observância deste acordo levou a que o reitor se retirasse do referido local", justificou.
Hélder Castro, presidente da AAUM, afirmou não conhecer as razões que levaram a tal atitude por parte do dirigente da UM, pois ainda não tinham falado sobre o assunto. No entanto, admite que o abandono se deveu a algo que contrariou o seu posicionamento relativamente à praxe. "Ele estava lá e foi-se embora, algo não respeitou os princípios que toma como prioridade e retirou-se", afirmou.
O abandono da tribuna, bem como a sua ausência nas serenatas, podem dever-se ao posicionamento anti-praxe de António Cunha. A hostilidade do reitor relativamente à praxe é conhecida desde Outubro, momento em que proibiu as praxes junto aos complexos da universidade.
Apesar do incidente, Pedro Silva não admite a existência de hostilidades com o reitor, afirmando apenas que há um ambiente de não reconhecimento da praxe. "Não há um ambiente hostil, há um ambiente de não reconhecimento por parte da reitoria relativamente ao Cabido de Cardeais e à praxe". O responsável pela praxe na Universidade do Minho declarou ainda desconhecer os motivos que o levaram a ficar de fora da tribuna, algo que fazia nos anos anteriores. "Não sei o que o levou a mudar de atitude. O ano passado estava na varanda, não sei o que mudou."
Alheios ao incidente, os estudantes desfilaram pelas artérias da cidade, celebrando entre hinos de curso e cântico da academia minhota a passagem de mais um ano letivo.
Através dos carros alegóricos os vários cursos fizeram jus ao tema a "Gata Borralheira" e apresentaram, mesmo que em tom de brincadeira, fortes críticas ao difícil contexto económico que o país atravessa.
Conhecidos na noite de Quarta-feira, o vencedor do cortejo foi o curso de Medicina. O cantor Emanuel anunciou ainda que em segundo lugar ficaram os portadores das fitas amarelas e brancas, os alunos de Enfermagem. O terceiro lugar do pódio foi ocupado pelo curso de Gestão.