Do avião vimos os lagos, os campos, as fábricas antigas, nascidas há séculos atrás e que marcaram o início da revolução industrial, nascida naquela mesma cidade. Os pontos vermelhos em filinha indicavam a existência de ruas e ruelas, preenchidas pelas casas de tijolo escuro tipicamente inglesas.

Foi um choque quando saímos do avião. Passar dos agradáveis 30 graus portugueses para a chuva miudinha britânica. Longe do calor de Portugal e dos corações calorosos dos portugueses, esperávamos encontrar ingleses tão gélidos quanto os meados de Setembro no país. Para nossa surpresa, descobrimos que o povo de Manchester é afável, preocupado e chama-nos ‘love’ o tempo inteiro. Desde a menina da caixa do supermercado, ao rapazinho que desce connosco no elevador.

Toda a gente tem alguém da família com casa em Portugal. E toda a gente exclama ‘Algarve!’ quando dizemos que somos portuguesas. Um senhor moldavo que nos leva até Dean’s Gate descobre a nossa nacionalidade através da conversa que se desenrola no banco de trás do táxi. Comenta que é ridículo os ingleses só saberem a sua própria língua. Já no restaurante, uma de nós diz ‘Adeus’ ao rapazinho que nos serviu, ao que ele responde ‘Isso é espanhol’. Falando em espanhol, os espanhóis da nossa residência foram os primeiros a meter conversa connosco. Sinto que a expressão ‘nuestros hermanos’ faz sentido neste contexto. Eles são o mais parecido com o que temos de casa. Os mesmos hábitos, o mesmo tipo de gastronomia, o mesmo ódio às carpetes que cobrem todas as divisões das habitações inglesas.

Espanhóis à parte. O resto do pessoal do nosso ‘hall’ é muito simpático. Assemelha-se às fraternidades americanas. Há pessoas de várias nacionalidades e festas todas as semanas. Há quem estude e há quem tente a sua sorte no mercado do trabalho inglês. Primeiro que viéssemos cá parar, tivemos que passar por dois dias de pânico, sem ter quem nos aparasse. Depois de uma reunião com pessoal responsável da universidade, fomos atiradas aos lobos, ou como quem diz, aos senhorios ingleses. Depois de muitas casas alcatifadas e com cheiro a mofo, e alguns comentários sobre arrumos debaixo das escadas e o mundo mágico do Harry Potter, acabamos por aceitar o desafio de partilhar a cozinha e casa de banho com o resto do piso.

Nos passeios desenfreados dos primeiros dias, deu para captar a essência industrial da cidade, a beleza dos edifícios, o ritmo acelerado dos transportes e dos habitantes, contrastando com o cenário verde dos parques espalhados por Manchester e os seus residentes, os esquilos.

As aulas estão a começar, e entre a correria para a secretaria e o envio de e-mails, há sempre tempo para um chocolate quente no Starbucks ou Costa e à adaptação à nossa nova rotina.

 

Eliana Silva

Joana Videira

Mafalda Gomes

Sara Nogueira