Episódios de tonturas, alergias, queda de cabelo, desmaios e relatos de “What Does the Fox Say” a ressoar eternamente nos ouvidos. Desde que o JN publicou uma notícia a dar conta dos alegados sintomas que surgiram depois de uma explosão num laboratório da Escola de Ciências da Universidade do Minho, a comunidade estudantil tem-se mostrado preocupada.

O InComUM decidiu tentar perceber o que se está realmente a passar. No início, pretendíamos ver se os rumores eram justificados. Contudo, a nossa investigação descobriu que esta polémica é só a ponta do icebergue.

Fontes anónimas contactadas pelo InComUM, durante a investigação, falam num dos projetos científicos “mais ousados de sempre” e prometem que o incidente “ficará para a história”, quanto mais não seja por ser um autêntico “case study de comunicação estratégica”. No entender destes aprendizes de Deepthroat do século XXI, a reitoria soube, de facto, aproveitar os rumores para “afastar as atenções” dos estudantes.

De facto, muitos se mostraram preocupados com problemas capilares e desmaios. Mas, ao que parece, ninguém pensou no aspecto mais óbvio: pode haver indivíduos que, à conta dos materiais radioactivos, podem ter desenvolvido capacidades extra-humanas (ou, dito de forma corrente, super-poderes).

A fim de dar início ao “Projecto Radioactividade”, a Reitoria tem vindo a fazer um levantamento dos “super-heróis” que surgiram, à conta do incidente. Mas quem são estas pessoas? Como deram conta dos seus poderes? Como afetou a sua vida? Depois de um trabalho (pouco) sério e de muito custo, conseguimos encontrar três pessoas dispostas a darem a saber a sua experiência.

 

Os “Heróis” que esta academia precisa?
Campanelo Gerúndio – 40 anos

Este segurança da Prosegur, que na noite da explosão se encontrava a jogar Solitário no computador do posto da empresa de segurança, perto do CP1 do Campus de Gualtar, foi o primeiro caso registado a notar os efeitos.

Campanelo conta que foi no decorrer do trabalho, no dia seguinte, que notou ter adquirido super audição e velocidade. “Estava a dar uma voltinha pelo CP2, quando ouço um berro de uma praxe de Medicina, perto da Escola de Ciências da Saúde (longe como o catano). Mas é que ouvia direitinho! Achei super-estranho, como deve imaginar. Não bastava isso, quando vou a correr para a moto, para fazer o meu trabalho de empatar praxes, fui a correr, qual Speedy Gonzalez qual quê! Cheguei num instante lá. As minhas botas cheiravam a borracha queimada inclusive! Foi um bom dia de trabalho! Acho que vou pedir que me aumentem. Ainda vou mandar na Prosegur um dia destes”, constatou o segurança.
Questionado sobre se iria usar os super poderes para prevenir assaltos perto do Campus de Gualtar, Campanelo não quis responder.

 

Tomás Pimenta – 20

Jovem encalhado em Direito e com uma linguagem problemática, Tomás descobriu que conseguia manipular, de forma consciente e intencional, a energia cinética que emitia. É o equivalente minhoto ao Gambit, o herói dos X-Men, conhecido por mandar objetos com uma força e velocidade estonteantes.
Tomás descobriu o seu dom num contexto de adversidade. “Estava eu num dos bares académicos (que não vou dizer qual), numa noite de Erasmus, a apreciar as espanholas e as brasileiras. A música não estava grande coisa. Estava com alguns copos. Lembrei-me, cheguei ao DJ e disse-lhe para meter música de jeito”, explica o aluno.

“O gajo não curtiu nada a minha cena (devo ter insultado a cultura musical dele) e chamou uns seguranças para me expulsarem de lá. Como não queria levar na boca, abriguei-me atrás de uma mesa de matrecos que havia lá. No meu misto de embriaguez e de desespero, lembrei-me de mandar-lhes com as bolas dos matrecos (estavam lá uns tipos a jogar). Quando vejo aquilo a ir tipo balas e eles a saírem projetados, a aterrarem em cima das mesas do bar, vi que alguma coisa não batia bem comigo. E foi aí que descobri que tinha super poderes!”, acrescenta o estudante de Direito.

 

Inês Margarida – 24

Tão atraente como aguerrida, Inês é uma mestranda de Sociologia, que desde logo soube aproveitar os seus poderes de telequinese para benefício próprio. Sobretudo, para resolver problemáticas relacionadas com questões de género, de forma Nikolskiana.

“A telequinese dá-me imenso jeito para quando vou sair à noite, pelo centro, para lidar com bate coros foleiros”, refere. A estudante contou um caso recente, para exemplificar: “Estava eu no Insólito, metida na minha vida, e um tipo põe-se a dar-me aquilo que chamo de ‘bate coro musical’. São aqueles cromos chatos e irritantes, que chegam à tua beira e tentam-te impressionar com a ‘vasta’ cultura musical deles (citando Mariana Sousa Santos (2011), socióloga proeminente da doutrina Nikolskiana)”.

O mais impressionante é quando chega um gajo e, adivinhem, sabe tudo sobre uma banda em questão: discografia, concertos, biografia dos membros da banda e até as curiosidades da Wikipedia debitou de cor e salteado! Sinceramente, fartei-me aturar este tipo de falhados. Por isso, mandei-o contra uma caixa de electricidade do bar. Bem-feita! Desde aí, já não tenho que aturar disto. Finalmente!”, refere a aluna, orgulhosa.

 

 “Projeto Radioatividade”

Segundo o que a redação conseguiu apurar, a Reitoria, face à situação, está a trabalhar na criação um programa secreto, com o nome provisório de “Projeto Radioatividade”. Um dos responsáveis do projeto, que se apresenta como o Dr. Meme, diz que este vai servir não só “para ajudar as pessoas afetadas pelo incidente”, mas também “por ser um fenómeno com uma dimensão científica bastante relevante, pode ajudar-nos a subir uma ou duas posições nos rankings das melhores universidades do mundo, de que tanto nos orgulhamos”.

Para promover a inclusão, os integrantes terão uma redução significativa no preço das propinas, descontos nos restaurantes perto da UM, lanches grátis na Montalegrense e Maria Bolacha, assim como entrada grátis para o Sardinha e para o Keimódrumo. “Para além de acharmos que pode incentivar estas pessoas a darem a conhecer a sua situação, também torna mais fácil lidar com eles. Também, a menos que sejam parvos, ninguém recusa uma fatia de bolo do Maria Bolacha à pala”, afirma Dr. Meme.

Tentámos saber mais sobre este possível X-Men à la UMinho, mas a informação relacionada com este projecto é confidencial e de difícil acesso. Mas tal não constitui um obstáculo para a redação do InComUM. Prometemos desvendar mais pormenores sobre este caso, brevemente.